Pentecostes! A urgência da presença do espírito de Deus entre nós

Espírito de Deus e espírito do mundo: como discernir em tempos atuais?
Nos últimos dias, folheando o jornal ou campeando notícias nos meios de comunicação mais usados no mundo atual, através da internet, ou nos diversos aplicativos e zaps da vida, encontro notícias estarrecedoras: são casos que beiram ao absurdo, fatos, sim, que deveriam humilhar e envergonhar até mesmo o mais desprezível ser de toda a raça humana.
Escancaram notícias de situações chocantes em que o uso da violência e do ódio são causas de espancamentos de inocentes e indefesos, e causam escândalo e indignação ainda que pelo menos em pequena parte da população que ainda não está entorpecida pela indiferença.
Encontro cenas aterrorizantes de mães que matam os filhos, de padrasto que, supostamente sustenta o título de doutor e até de vereador, mas que não tem nenhuma ética e pudor para usar os conhecimentos que tem para agredir e infligir castigos e humilhantes sofrimentos até a morte, de uma inocente criança, que depende, ao invés disso, sim da sua proteção.
Vejo imagens de idosos que na sua fragilidade, e sem possibilidade alguma de defesas e sustentação por si próprios são humilhados, maltratados e oprimidos por aqueles que deveriam protegê-los e sustentá-los agradecidos pela vida que deles um dia receberam.
Vejo imperar as injustiças e julgamentos por interesses escusos. Poderes que se corrompem e desavergonhadamente impõem leis, expelem sentenças e decretos em detrimento do pobre e do fraco e do mais necessitado, do que carece de recursos para se defender e por isso condenados peremptoriamente, sem piedade, enquanto que processos intermináveis contra os chamados grandes e poderosos se estendem ao longo de tempo suficiente, com todo o tipo de manobra jurídica, que os fazem caducar e perder a liceidade.
A mentira camuflada e instituída em pretensas comissões e conselhos onde a Ética e a Verdade se tornam prisioneiras de falácias a serviço de políticos interesseiros e gente sem escrúpulo algum. É uma nova barbárie?! Para onde caminhamos? Não é este o espírito do mundo, um espírito mundano revestido de hipocrisia e ambiguidades? O espírito do mal, da mentira, e do rancor, a serviço apenas da divisão e desarmonia?
Como criar condições de comunhão, fraternidade, plena justiça para atingirmos a igualdade, “pois segundo a lei somos todos iguais”, mas permanecemos cúmplices de costumes e atitudes que privilegiam classes e criam castas entre as pessoas?
Com tudo isso a impressão é sempre a de que o mal cada vez mais se torna uma instituição que veio para ficar. Que opção, que escolhas estamos fazendo como sociedade? Com que espírito e com que finalidade as decisões estão sendo tomadas, especialmente no mundo político, nas instâncias da justiça e no âmbito social?
Sabemos que o Espírito divino é o oposto de tudo isso. É nele que a vida se renova. É o sopro de Deus que é o dinamismo que gera vida, é força criadora, é a Verdade que liberta e faz brotar nova vida e a plena liberdade: “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8,31s).
Então como não gritar em súplica fervorosa e humilde para que o Espírito da Verdade, o Santo, o Paráclito, possa ser derramado sobre nós, sobre a sociedade, os políticos, governantes, e sobre todo o mundo se é dele que procedem as boas obras e se é da sua presença e dos seus dons que acontecem o amor, a paz, a bondade, a benignidade, a mansidão, a longanimidade, a fidelidade, a alegria e o domínio de si? Tudo isso tão em falta no nosso país?!
Creio na renovação do coração das pessoas, no “Logos” de Deus que é capaz da transformação do mundo e de toda a sociedade pois é assim que nos fala: “Quando vier o Espírito da Verdade, ele vos conduzirá à verdade plena, pois não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas futuras” (Jo.16,13).
“Vinde Espírito Santo! Enchei o coração dos vossos fiéis, acendei neles o fogo do vosso amor, e tudo será criado, e renovareis a face da terra!”








