Inspirados
Silêncios

Por Tânia Mara
Têm silêncios que trincam os ossos
Pesam mais que caminhão de britas
São silêncios que ocupam espaços
Invadem os poros
Criam nós na garganta,
Põem a vida em outra dimensão
Tem silêncio que coloca em alerta,
Que para acostumar e ocupar os espaços
vão noites insones.
Filhos são abundantes em preenchimentos
Ainda bem que tem movimentos que te posicionam
Quase matrix
A revoada dos pássaros
A cantoria de maritacas
O caminhão de entregas
A makita
Os vizinhos falantes e acelerados
Os latidos
Os miados
Tudo ao longe
Inclusive a filha que segue o seu caminho…
Tânia Mara Pinto de Sousa. Professora. Coordenadora do NEPEC (Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Economia Criativa). Líder local do World Creativity Day 2021. Poeta. Participa do e-book Eu-Mulheres, da editora Artefato.









Sobre o poema: Silencios.
A vida sem ” silencios ” â nossa volta tornar-se-ia uma vida barulhenta e nao teriamos tempo (?) para meditar como descreves no teu poema.
São esses silêncios, alertas da vida, com os quais de quando em quando nos põem em sentido!
Tantas coisas nos têm acontecido e que nos deixam muitas vezes em silencio, muitas delas incapazes de serem resolvidas!
Muitos de nós viajamos sem bagagem própria, e quando nos deparamos na realidade acabamos por chegar a um local errado, Lugar bem diferente do imaginário!
A vida social, por vezes, nos confude e baralha-nos.
A familia cresce, diminui e separa-se.
Os amores possiveis sáo mal resolvidos e divorciam.se, Os amores impossiveis, julgamos nós, só fazem parte dos nossos sonhos e quando tentamos seguir em frente há sempre uma fronteira… E por falta de oportunidade, acabamos por ficar no mesmo local, e entregamo-nos ao silêncio.
Os filhos, seguem o seu prõprio rumo e cada vez mais nos sentimos sós. A vida tem estes silencios. Muitos deles ensurdecedores
Este é um silêncio que grita…