Pressa
Vamos tomar um cafezinho?
Convidou o simpático e amigo casal.
Não, não, embora esteja sozinho,
Preciso voltar pra casa, afinal.
A desculpa era verdadeira, em parte.
Comprometera-se a estudar, à tarde.
Deveres de quem se cobra, baluarte,
À atualização profissional sem alarde.
Dessa cena de apreço, comum,
Tiramos outros exemplos do estresse.
Covarde inimigo do bem-estar, mais um
A roubar o aguardado produto da messe.
Visitar um parente, um conhecido,
por razões fundantes de negativas,
Que opomos ou inventamos, é truque sabido.
Adeus às sociais etiquetas primitivas!
Mas quando é para a idolatria
Feita de nós mesmos, do ‘senhor celular’,
Ah! não amola, a onda é a egolatria,
Religião de santos e pecadores do mesmo altar!
A agenda do ter desumanamente lotada,
Do dia ou da noite que berra por terminar.
Confrontados com a consciência, pesada,
Temos a cobrança do eu em delação a premiar.
Em sua intrometida presença
Que parceiros e amantes não notam,
O vazio do ter edita sentença:
Frívolas preocupações o sono amarrotam.
A insônia a nós outros reservada
Um dia poderá nos levar a tropeçar.
No encontrão com o semelhante na calçada,
A chance de amar nos fará acordar.









É verdade 👏👏👏👏👏
BOA, EXCELENTE!
Somos filhos do dono do tempo. Não temos tido tempo para o próximo, Sandra, imagine para Ele! Obrigado por ler poesia. 🥰
Amigo/irmão Théo Maia!
Bom saber que você está exercitando o seu quinhão literário.
A sua sabedoria e sensibilidade não cabem mesmo só nos livros jurídicos…
Que venham outras trovas, que emerjam outras reflexões.
Betinho, Betinho. Companheiro de antigas e árduas jornadas, muitas delas travadas nas madrugadas frias, escuras, realmente escuras, quando nem todas as vias públicas contavam com postes e seus braços de luz! Tínhamos que, realmente, colocar a Hertz/AM no ar, às 05h00. E andávamos a pé. Essas caminhadas engrossaram as plantas dos pés e fortaleceram os nossos sentimentos, também no campo político e poético. Bondades de Deus; e do amigo de toda uma vida, Beto Chagas.
Muito bom, Dr Theo! Uma leitura da nossa “estrada da vida” de hoje… Que bom que você está tendo tempo de olhar a paisagem… Mas, não podemos deixar de encaixar nela um cafezinho… Gde abraço.
Muito bom Dr Theo. Uma leitura da nossa estrada da vida atual… Que bom que você está tendo tempo de olhar pela janela. Mas precisamos encaixar um tempo para o cafezinho… Grande abraço.
Estando de bem com o Dono do Tempo, a mesa da recepção da casa fica sempre posta para o cafezinho, um pedacinho de bolo (de fubá, de preferência!), uma quitanda e uma boa conversa.
O personagem do arremedo de poeta é que padece ao ver esse admirável mundo novo!
“É duro tanto ter que caminhar/ E dar muito mais do que receber!” … Ser lido por você é honroso; e por tantos leitores que não dá para identificar. Abraço, colega e bom amigo.
Linda poesia 🙂
Religião de santos e pecadores do mesmo altar! É a síntese de um sentimento que creio seja comum a todos nós nesses tempos “corridos”, onde o que realmente deveria nos movimentar, os valores da vida… ficam guardados, represados, no entanto não esquecidos.
Obrigada por suas palavras, até a próxima poesia Dr. Théo 🙂