Folhinha

Folhinha Especial de Carnaval

“SALGUEIRAR VEM DE CRIANÇA”

A Folhinha Especial de Carnaval trouxe, na semana passada, a Escola de Samba Unidos do Viradouro, de Niterói-RJ. Hoje traz o Projeto Aprendizes do Salgueiro, que tem como escola de samba-mãe a Acadêmicos de Salgueiro, do Rio de Janeiro-RJ.

Para conhecer o Aprendizes, leia a entrevista da presidente Mara Rosa:

“Para participar, as crianças precisam estar estudando”

Mara Rosa, presidente do Aprendizes do Salgueiro, tem 37 anos de idade, nascida e criada na rua Silva Teles, que fica ao lado da quadra do Salgueiro. Atualmente, reside no Engenho Novo, zona norte do Rio de Janeiro.


Com a palavra, a presidente:

Folhinha: Presidente, o que representa o Carnaval em sua vida?

Mara:  Sou uma grande beneficiada dos projetos sociais das escolas de samba. Eu morava ao lado da Quadra do Salgueiro, então, o Carnaval me abriu as aportas da educação, cultura, do conhecimento. Sou filha do porteiro da escola com a faxineira da escola, sou filha de mãe analfabeta e através dos projetos sociais da escola eu consegui estudar e me formar.

Folhinha: O que é o salgueiro para você?

Mara: É a extensão da minha vida, da minha família, já tentei algumas vezes me afastar da escola, mas eu não tenho para onde correr, porque olho pra todos os cantos, tenho imagem da minha da minha infância e da minha família aqui, tenho minha família espalhada em quase todos os setores da escola e o Salgueiro é parte da minha família, da minha vida.

Folhinha: O que representa para você o trabalho com as crianças? 

Mara: As escolas de samba têm obrigação social com as suas comunidades e eu sou fruto disto, por exemplo. E hoje, com o projeto Aprendizes do Salgueiro, estou retribuindo para o Carnaval e para o universo tudo que o Carnaval já fez por mim.

Folhinha: Como funciona o projeto Aprendizes do Salgueiro?

Mara: Nossa escola de samba mirim tem mais de trinta anos, ela começou como “alegria da passarela”, nós temos um trabalho anual, pode não parecer, mas as escolas de samba trabalham 365 dias no ano. A gente começa com um projeto que chama “Salgueirar vem de criança” no meio do ano, no período de férias escolares. Atualmente temos cinco oficinas: percussão, balé, mestre sala e porta-bandeira, alegoria, adereço, e de passista a “samba no pé”. Trabalhamos com os projetos até dezembro, ensinando as crianças e as famílias essa cultura. No caso da alegoria e adereços são os pais/responsáveis que aprendem corte, costura e modelagem. Depois começamos o período de ensaio, que vai de outubro até o Carnaval. Atualmente desfilamos com quinhentas crianças e envolvidas nos projetos são cerca de trezentas crianças, costumo dizer que temos trezentas famílias envolvidas nos nossos projetos sociais.

Folhinha: Acredita que o Carnaval faz a diferença na vida dessas crianças?

Mara: O Carnaval fez diferença na minha vida. A cultura salva vidas, liberta. Se eu olhar para trás, vejo que eu tive muito mais oportunidades que meus amigos de infância porque eu me envolvi com o Carnaval, e no meio desse caminho muita gente se perdeu e tem várias histórias para contar de tráfico, gravidez na adolescência, abandono escolar… E temos como exigência no Aprendizes que eles têm que estar estudando pra participar do Carnaval. O Carnaval transformou a minha vida, e temos um histórico de outras crianças que mudaram também e o nosso objetivo é perpetuar isso, fazer com que o Carnaval continue salvando e libertando muitas famílias.

Folhinha: As crianças que desfilam participam do desfile oficial?

Mara: Gosto de diferenciar bastante o Salgueiro do Aprendizes, porque o Aprendizes é o local da criança e o Salgueiro é local do adulto, Não gosto de misturar porque acho que tem tempo para tudo, criança tem que ser criança e depois que eles virarem adultos irem para a escola mãe. Mas existe participação, principalmente na bateria, pois os que já são adolescentes, acabam desfilando na bateria, mas dos outros segmentos a gente só vai para escola mãe depois que completam dezoito anos.

Folhinha: Uma alegria…

Mara: Ver o retorno dos pais, eles agradecem quando a criança participa, tivemos o caso de uma criança que através do projeto descobrimos que é autista, e nós fazemos essa inclusão. No projeto de alegoria e adereços que começamos antes da pandemia muitos adultos fizeram máscaras, trabalharam fazendo sacolinhas de festa na nossa oficina. O feedback dos pais mostra que devemos continuar este trabalho e que estamos no caminho certo.

Folhinha: Quais são os planos para o futuro do Aprendizes?

Mara: O Aprendizes já existia antes de mim e vai continuar existindo quando eu sair, a ideia, o plano é que esses projetos se perpetuem, que tenhamos mais apoio, pois temos quinhentas crianças desfilando e trezentas crianças envolvidas nos projetos, e financeiramente não temos apoio nenhum do governo, então a gente faz tudo com voluntários, e com o apoio da escola mãe. Gostaria que tivéssemos mais apoio para atender mais famílias. Digo sempre que, sem confiança, eu já atendo trezentas famílias, se me dessem confiança, então, e se eu pudesse pagar os profissionais que fazem o lanche, a limpeza, que dão aula, e se me dessem um ônibus, eu ia rodar o Rio de Janeiro atrás de mais crianças.

Presidente Mara Rosa e a vice-presidente Maria da Glória

Algumas das crianças que participam do projeto…

Aprendizes do Salgueiro: o futuro está garantido!

João Pedro de Moura Rodrigues, 8 anos, Mestre-Sala

João Pedro nasceu no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 2014, estuda no 3º ano escolar

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

João Pedro: Gosto de desfilar no Carnaval, esse é o segundo ano que desfilo. Minha mãe me ensinou a gostar.

Folhinha: O que você faz na Aprendizes do Salgueiro?

Joao Pedro: Sou mestre-sala. Meu pai era Mestre-Sala, como primeiro casal na Paraíso do Tuiuti. Adoro ser mestre sala, eu via meu pai dançando com a Porta-Bandeira e quis fazer isso e desfilar também. Adoro dançar.

Folhinha: Quais são os seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba?

João Pedro: Ser mestre sala do Salgueiro.

Folhinha: Quem é a pessoa que você mais admira?

João Pedro: A Lara, a Porta-Bandeira, gosto de dançar e ensaiar com ela para desfilarmos.

Folhinha: Qual seu samba-enredo preferido?

João Pedro: Do Aprendizes desse ano. Mas minha escola do coração é Tuiuti, pois meu pai dançava lá.

Lara Silva Cassiano da Costa, 8 anos, Porta-Bandeira

Lara nasceu no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2014, estuda no 3º ano escolar

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

Lara: É folia, é muito legal, onde nos divertimos, brincamos na Sapucaí.

Folhinha: Com quem aprendeu a gostar de Carnaval?

Lara: Com o meu pai e minha avó, eles ainda são do Carnaval.

Folhinha: O que você faz aqui na Aprendizes do Salgueiro?

Lara: Sou aluna do projeto de Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Bailo de porta bandeira. No Aprendizes, aprendo carrossel, mas o que eu mais gosto é de representar o pavilhão com a bandeira

Folhinha: Quais são os seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba?

Lara: Que seja tudo ainda melhor do que já é, que possamos sempre aprender mais e mostrar nosso poder na Sapucaí.

Folhinha: Quem é a pessoa que você mais admira dentro da escola de samba?

Lara: Marcela, porta bandeira do Salgueiro, ela baila muito bem, é lindo ver ela dançar, admiro muito.

Folhinha: Qual é o seu samba-enredo preferido?

Lara: O Rei Negro do Picadeiro, de 2020, Salgueiro.

Bernardo Teodoro Ribeiro, 13 anos, ritmista da bateria Furiosinha

Bernardo nasceu no Rio de Janeiro, em 2 de abril de 2009, estuda no 8º ano escolar

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

Bernardo: É diversão, é uma data que eu gosto, acho muito legal desfilar.

Folhinha: Com quem você aprendeu a gostar do Carnaval?

Bernardo: Com o Victor Hugo (mestre da bateria Furiosinha) e o João (diretor da bateria Furiosa), eles me incentivaram a vir fazer parte. Quando eu comecei a desfilar, o João era o mestre da Furiosinha.

Folhinha: O que você faz aqui no Aprendizes do Salgueiro?

Bernardo:  Eu toco marca surdo de segunda. Aqui na Aprendizes aprendi a tocar vários instrumentos, já aprendi a tocar repique, caixa, primeira, segunda, terceira e me garanto em todos eles.

Folhinha: Já decorou o samba enredo desse ano?

Bernardo: Claro, e a parte que mais gosto é “Sou aprendizes, cria do torrão, vermelho e branco é a minha paixão”

Folhinha: Quais seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba?

Bernardo: Ser mestre de bateria do Salgueiro ou ser microfone também.

Folhinha: Quem é a pessoa que você mais admira dentro da escola de samba?

Bernardo: Orelha e do Uchôa, que são a velha guarda da bateria, eles me ensinam a montar repique, as levadas do tarol…

Folhinha: Qual seu samba-enredo preferido?

Bernardo: Tambor, de 2009, Salgueiro.

Samuel da Silva Elias, 10 anos, ritmista da bateria Furiosinha

Samuel nasceu no Rio de Janeiro, em 6 de agosto de 2012, estuda no 5º ano escolar

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

Samuel: É alegria, folia, diversão… É uma coisa difícil de explicar. É mais fácil sentir que explicar.

Folhinha: Com quem você aprendeu a gostar do carnaval?

Samuel: Foi a música mesmo, foi o samba que me trouxe.

Folhinha: O você faz aqui na Aprendizes do Salgueiro?

Samuel: Aprendo muitas coisas, aprendo a marcação do tempo. Sou da Furiosinha, toco repique, entrei no projeto de percussão em 2019 onde aprendi a tocar quase todos os instrumentos da bateria, mas meu favorito é o repique.

Folhinha: Já decorou o samba desse ano? Parte favorita?

Samuel: Sim. “Minha identidade contagia, salve o mestre do Salgueiro no tambor da academia”

Folhinha: Quais são os seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba? Samuel: Quero ser famoso. Quero ajudar a montar os instrumentos igual já fiz algumas vezes.

Folhinha: Quem é a pessoa que você mais admira dentro da escola de samba?

Samuel: O intérprete Emerson Dias, a voz dele é muito bonita.

Folhinha: E qual o seu samba enredo preferido?

Samuel:  O samba deste ano, do Aprendizes.

Davi Nascimento dos Santos, 8 anos, ritmista da bateria Furiosinha

Davi nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de maio de 2014, estuda no 3º ano escolar

Folhinha: O que é o carnaval para você?

Davi: Carnaval é uma coisa que me inspira muito, porque eu domino o samba. É uma coisa muito boa para mim e um orgulho para minha família.

Folhinha: Com quem você aprendeu a gostar de Carnaval?

Davi: Acho que ninguém me ensinou. Eu ficava assistindo vídeos e aí pensei “vou aprender a tocar pagode, samba…”. Ninguém da minha família tocava ou desfilava, eu sou o primeiro.

Folhinha: O que você faz no Aprendizes do Salgueiro?

Davi: Vou desfilar na bateria, na Furiosinha, tocando repique, às vezes puxo samba também. O que eu mais gosto é puxar o samba, pois puxa o público, chama atenção das pessoas, e gosto de fazer isso pela humildade e para receber os aplausos. Iniciei no projeto de percussão e aprendi a tocar repique, caixa e surdo e gostei mais do surdo. Um dia, na aula de surdo, o Samuel chegou cantando “Êh! Faraó! Faraó! Faraó!” e fizemos uma pegada mais para o axé, essa aula foi muito legal.

Folhinha: Já decorou o sábado esse ano? Parte favorita?

Davi:Sou aprendizes, cria do torrão, vermelho e branco é a minha paixão, meu coração dispara quando o apito anuncia, Furiosinha, arrepia!”

Folhinha: Quais são os seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba?

Davi: É ser solista, puxar o samba, tocar repique, é o meu dom.

Folhinha: Qual é a pessoa que você mais admira?

Davi: O Mestre Vitor Hugo, ele me deu a oportunidade de puxar o samba.

Folhinha: Qual seu samba-enredo preferido?

Davi: Gosto do samba do Aprendizes deste ano e o da Mangueira de 2020: “Mangueira samba, teu samba é uma reza, pela força que ele tem, Mangueira, vão te inventar mil pecados, mas eu estou do seu lado e do lado do samba também”

Victória Cristine Fortunato Marques, 11 anos, Madrinha de Bateria Furiosinha

Victória nasceu no Rio de Janeiro, em 18 de maio de 2011, estuda no 6º ano escolar.

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

Victória: Carnaval para mim é alegria, prosperidade, são muitas coisas felizes que tenho e sinto no Carnaval.

Folhinha: Com quem você aprendeu a gostar do Carnaval?

Victória: Com a minha mãe, ela desfilou comigo na barriga dela. Quando eu tinha cinco anos também desfilei, ela me ensinou a gostar muito de samba, me dizia o que era samba e eu fui me apaixonando. Ela desfilava na Salgueiro, mas não desfila mais. Meu avô também era daqui do Salgueiro, é o Mestre Marcão, hoje ele é mestre de bateria da Unidos do Tuiuti. Já nasci no mundo do samba.

Folhinha: O que você aprende no Aprendizes do Salgueiro que você mais gosta? Victória: Sambar, fazia aula de samba, aprendi com a Amanda.

Folhinha: Já decorou o samba desse ano? Qual a parte que você mais gosta?

Victória: Já decorei, a parte que mais gosto é “…Vermelho e branco é minha paixão, meu coração dispara quando o apito anuncia, Furiosinha, arrepia!”.

Folhinha: Quais são os seus sonhos para o futuro dentro da escola de samba? Victória: Ser rainha de bateria igual a Viviane Araújo, é a pessoa que mais admiro no Salgueiro, ela samba muito e gosto bastante dela.

Folhinha: Qual o seu samba preferido?

Victória: Malandro Batuqueiro, de 2016, do Salgueiro. Este samba parece que foi feito para mim, pois sou cria da Salgueiro.

Maria Eduarda Rezende da Silva, 9 anos, Musa

Maria Eduarda nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de dezembro, estuda no 4º ano escolar.

Folhinha: O que que é o Carnaval para você?

Maria Eduarda: Carnaval é uma inspiração em todos os sambas e enredos das escolas.  

Folhinha: Com quem que você aprendeu a gostar do Carnaval?

Maria Eduarda: Com minha família, todo mundo desfila, já nasci no samba.

Folhinha: O que que você faz no Aprendizes do Salgueiro?

Maria Eduarda: Aprendo muito todos os dias, já fiz também o “Projeto Samba no Pé” onde aprendi a sambar com as Professoras Amanda e Larissa, gostei muito de aprender. Esse ano desfilarei como Musa.

Folhinha: Qual trecho do samba-enredo do Aprendizes, deste ano, que mais gosta?

Maria Eduarda: “…Sou aprendizes, cria do torrão, vermelho e branco é a minha paixão”.

Folhinha: Quais seus planos para o futuro?

Maria Eduarda: Quero ser madrinha de bateria.

Folhinha: Quem é a pessoa que mais admira na sua escola de samba?

Maria Eduarda: A Amanda, ela é destaque na ala das passista, samba muito bem, é legal e ensina muitas coisas para a gente.

Folhinha: Tem um samba-enredo favorito?

Maria Eduarda: Sim, é do Salgueiro: “Malando Batuqueiro”.

Kawany Venâncio, 9 anos, Princesa da Bateria Furiosinha

Kawany Venâncio, nasceu no Rio de Janeiro, em 5 de julho de 2013, estuda no 4º ano escolar.

Folhinha: O que é o Carnaval para você?

Kawany: Desde criança sambava muito e queria fazer parte de uma escola de samba, e aqui no Aprendizes eu sambo.

Folhinha: Com quem você aprendeu a gostar do Carnaval?

Kawany: Com minha mãe, ela também é sambista, também é do Carnaval.

Folhinha: O que faz na Aprendizes?

Kawany: Sou princesa da Furiosinha. Gosto muito de sambar e aprendi a sambar aqui no Aprendizes com o projeto “Samba no pé” e desfilei como passista e esse ano sou princesa da bateria. Amo sambar.

Folhinha: Já decorou o samba enredo desse ano?

Kawany: Sim. “Sou aprendizes, cria do torrão, vermelho e branco é a minha paixão”

Folhinha: Sonhos para o futuro dentro de uma escola de samba?

Kawany: Ser rainha de bateria da Furiosa.

Folhinha: Quem é a pessoa que você mais admira dentro da escola de samba?

Kawany: O intérprete da Acadêmicos do Salgueiro, o Emerson Dias. Desde que entrei no Aprendizes, ele me chama de sobrinha, me elogia, trata com carinho.

Folhinha: Samba enredo preferido?

Kawany: O desse ano do Aprendizes.

Com a palavra Vitor Hugo, o Mestre de Bateria do Aprendizes do Salgueiro:

Vitor Hugo Baluardo, o Baluzinho, na Furiosa, toca Surdo de terceira microfonado e na Furiosinha é o mestre de bateria. Ele é uma grande referência das crianças.

Nasci em Niterói-RJ e viemos morar no Rio de Janeiro quando eu tinha 6 anos de idade, sempre morei na rua Silva Teles, onde fica a quadra da Salgueiro. Passei minha infância brincando na rua e na Vila Olímpica, jogava bola, fazia natação, tocava cavaquinho. Sempre estive ligado a Salgueiro. Desfilei no Aprendizes, a primeira vez com 8 anos, em 2011 tocando chocalho. Assim, começou meu amor pela bateria e pela Salgueiro. Iniciei aos 8 anos, o mestre era o Marquinhos, filho do mestre Marcão e a Mariana (esposa do Marcão) me convidou para desfilar, agarrei o chocalho e fui. Meu irmão João, já desfilava e me ensinou muito.

João Vitor e Vitor Hugo

Aprendi a tocar olhando, observando e ouvindo. Me espelho, primeiramente no meu irmão o João, no mestre Marcão e nos mestres Gustavo e Guilherme, que para mim são dos melhores que existem na Sapucaí. Hoje, sou mestre de bateria da Furiosinha e me orgulho em ensinar o que sei para as crianças. Quero que eles gostem cada vez mais, além de tocar, aprendem a amar, respeitar, valorizar e ser solidários com o próximo. 

Não vivo sem o carnaval, é minha vida. Na avenida, a gente chora, se emociona e vive a Salgueiro. A Furiosa é a bateria da escola mãe e se conecta com a Furiosinha. Muitos ritmistas e diretoria já foram do Aprendizes ou da Alegria da Passarela, por isso há uma união muito forte. Para o futuro pretendo continuar minha faculdade, com meu trabalho que estou gostando muito, ajudar minha família e quem sabe, um dia, ser o mestre de bateria da Salgueiro. Este samba-enredo de 2023 da Salgueiro é especial para mim: Vermelha paixão salgueirense… Estarei, pela primeira vez, no 1º microfone do surdo de terceira, lugar que era do meu irmão (hoje diretor de bateria da Salgueiro). Grande responsabilidade!

Conheça o samba-enredo 2023 do “Aprendizes do Acadêmicos do Salgueiro”

Luan Rodrigues, intérprete

Compositores: Guilherme Kauã, Luan Rodrigues e Vitor Barros.

Intérprete: Luan Rodrigues

Mestre da bateria: Vitor Hugo Baluardo, o Baluzinho

Furiosinha: nome da bateria do Aprendizes

Instagram: @aprendizesdosalguerio

Lá no alto do morro bem pertinho do céu

De sangue nobre nascia,

Filho de Ioiô e dona Fia

Moleque pura nata da favela

Entre becos e vielas de lugar em lugar

Brincando com amigos, descendo a ladeira

Parceiros de uma vida inteira.

Lata d’água na cabeça e as cabrochas vão passando

Cada moça que “nós” vemos Vamos nos apaixonando.

Ao som do caxambu, saravá jongueiro! Folia de Reis embalava por inteiro

Cenário de inspiração foi com verso e poesia

Embalando a multidão

E hoje suas crianças orgulhosas

Seu legado, jamais esquecerão.

Sua identidade contagia

Salve o mestre do Salgueiro

No tambor da academia

Sou aprendizes cria do “torrão”

Vermelho e branco é a minha paixão

Meu coração dispara o apito anuncia!

Furiosinha arrepia!

Colaboraram com a Folhinha: Giovanna Anjos Leiroza Penna e Paula Loretti

Marketing do Aprendizes- Rio de Janeiro-RJ

Rita Mozetti

É Mestra em Desenvolvimento Regional, Doutoranda em Serviço Social, Pedagoga, professora do Ensino Fundamental e Ensino Superior, Gestora de Formação Continuada e Vencedora do Prêmio Educador Nota 10.

Um Comentário

  1. Como carioca me sinto orgulhoso em ler uma matéria feita com tanto carinho e amor. Esse olhar para as escolas mirins e para o futuro das escolas é muito raro na imprensa carioca. Gratidão pela matéria, pelo texto e pelo carinho.

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