Mulheres proibidas de frequentar universidades no Afeganistão, devemos nos preocupar?

Lemos com perplexidade a notícia publicada recentemente sobre a decisão de que o governo do Afeganistão, através do Ministério do Ensino Superior, que é administrado pelo Talibã, determinou que mulheres não devem ter acesso às universidades, impondo o cumprimento imediato da ordem, até que tenha outra decisão.
A atitude é um alerta para o mundo, do quanto se faz necessário discutir sobre os direitos das mulheres, mesmo após quase oito décadas da publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pela ONU em 1948, que já previa em seu texto que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
Liberdade e direitos iguais infelizmente não é que se vê em relação ao fato acima noticiado, mas também não é que o se observa em vários momentos na nossa realidade quando ficamos inertes em relação à situações graves que envolvem violência contra meninas e mulheres.
Aqui, não se faz um juízo de valor sobre a questão religiosa, mas a intenção é despertar e fazer pensar, até que ponto, em nossa realidade ocidental, admitimos violência de gênero e discriminação.
Infelizmente mesmo diante de discursos inflamados de igualdade, no Brasil, vemos dados alarmantes divulgados pelo Fórum de Segurança Pública, que em 2021, apurou que a cada dez minutos, foi registrado um estupro e a cada sete horas, um feminicídio.
Em um país, em que se prega liberdade, igualdade e dignidade, onde há amplo acesso à educação, porquê será que temos dados tão assustadores?
O que vemos é que situações radicais como as que são impostas pelo Talibã, nos fazem perceber, que mesmo protegidos aqui pelo manto da liberdade, ainda falta muito para que tenhamos segurança e efetiva garantia em relação aos direitos de inúmeras mulheres que sofrem diariamente violência sexual, psicológica, muitas vezes chegando ao extremo de perderem a vida.
No Brasil, mesmo com a existência de leis garantidoras, precisamos discutir mais sobre o tema, e identificar formas de redução de violência. Diversas medidas precisam ser adotadas e uma delas é a divulgação de campanhas publicitárias mais esclarecedoras que trabalhem a prevenção, com caráter pedagógico, para conscientizar toda a sociedade e evitar que os crimes aconteçam. Há um vasto caminho a ser percorrido, políticas públicas de acolhimento, prevenção e enfrentamento às violências precisam ser urgentemente implementadas. O tema clama por atenção, atitudes e sim, devemos nos preocupar! Muitos direitos precisam ser imediatamente retirados do papel e colocados como prioridades em pautas sociais e de governo, para que possa evitar tantas atrocidades, pois cada vez que naturalizamos a violência e a entendemos como um problema exclusivo da vítima, contribuímos para que haja a perpetuação desse tipo de comportamento devastador e que causa sofrimento, muitas vezes, por toda a vida.








