(A)Normalidade

Parafraseando Guimarães Rosa – “felicidade é uma questão de prefixo”. Escutando vozes que falam de um retorno à normalidade, penso nos prefixos, inerentes à linguagem.
Estamos às voltas, constantemente, com dualidades extremadas, coisa desoladoramente reducionista.
Há fronteiras de múltiplos significados entre palavras usadas na linguagem para que a gente se (des)entenda. Um pé de um lado e de outro, que – sem perceber – pisamos entre um e outro extremo. Muitas vezes, extremos deslizam, de um para outro, trocam de lugar (filosofia oriental).
Para pensar, e, ainda, sentir com peso e profundidade, é preciso tirar camisetas – arrear bandeiras, deixar de lado brasões e lemas. Abandonar clichês, retirar as travas dos olhos, como diz a Bíblia.
Não é fácil suspender juízos, preconceitos, evitar autoenganos; olhar para o próprio rabo, antes de apontar o dedo para o rabo alheio. Mas não vejo como sair desta arapuca reducionista de “ou isto ou aquilo” sem fazer exercício diário de tentar ver o mundo sem ter como referência única o meu próprio umbigo. É difícil? Claro que sim: mas tem seus benefícios:
– des-toupeiramos…






