Inspirados

Em Trânsito

Mudanças geram desconforto, medo: mesmo quando ancorados no ruim, porém  conhecido.  Há mudanças que se pode antecipar,  visualizando trechos a percorrer até chegar a um lugar, ou momento.

Há mudança súbita, sem aviso: por descuido de atenção, ou por impotência de ação, algo se impõe à revelia, vem um sentimento de des-amparo.  Des-orientação – o que virá a seguir? por onde ir? por quanto tempo? qual o destino da mudança?

As pessoas diferem nas reações às mudanças.  Os que lutam contra a mudança, por vezes inevitável, quase sempre se ferem na mesma intensidade com a qual lutam.  Tornam a caminhada dolorosa, o destino sentido como inalcançável, pela incapacidade de renunciar ao que se ancoravam.  Há pessoas que não aceitam o envelhecimento (desejo inglório).

Outros seguem o fluir da vida, e conseguem aproveitar a viagem.  Ficam na janelinha, ansiosos sim, mas capazes de historiar passagens, observar obstáculos, e reavaliar pré-juízos.

Ao renunciar ao inevitável, alguns podem ser surpreendidos com experiências novas, maiores e melhores, por terem sabido içar a âncora e navegar economizando energia, fortalecendo fé na Vida.

Maria Luiza Salomão

Maria Luiza Salomão é psicanalista pela Sociedade de Psicanálise de São Paulo e mediadora de leituras, participante do projeto Rodalivro, membro da Academia Francana de Letras. Correspondente da Afesmil (Academia Feminina Sul-mineira de Letras).

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