Em Nefarious, a batalha contra o mal se dá na mente
Suspense psicológico trata de possessão demoníaca sem os clichês dos filmes de terror

Neste feriado de Finados, Nefarious veio se juntar a uma extensa lista de filmes de terror que estrearam em 2023; entre eles, Fale Comigo, Jogos Mortais X, A Morte do Demônio: A Ascensão e O Exorcista do Papa, só para ficar em alguns exemplos. Um prato cheio para os fãs do gênero.
Nefarious é o nome do demônio que supostamente habita o corpo e a mente de Edward Brady (Sean Patrick Flanery), um homem condenado à pena de morte em razão dos crimes que cometeu.
No dia de sua execução, ele passa pela última consulta com o psiquiatra James Martin (Jordan Belfi), responsável por atestar se o criminoso estaria apto a cumprir a derradeira sentença.
O que se segue é um debate dinâmico entre o que seria uma entidade maligna e um médico ateu que tem suas próprias culpas a esconder.
É como uma partida de xadrez intelectual, com cada lado expondo seus motivos e objetivos. A disputa intelectual atravessa os temas de teologia, livre-arbítrio, metafísica, eutanásia, aborto e questões sociais.
Boa parte de Nefarious é quase um teatro filmado: algo como 90% dos 97 minutos de duração se dá na sala de interrogatório, com cada duelista ocupando um lado da mesa.
Sem sustos
Os fãs de jump scare, aqueles sustos que fazem a audiência pular na cadeira, podem se decepcionar. Não há também banhos de sangue, vozes guturais, jorros de vômito ou violência – os crimes brutais de Brady mal são comentados, muito menos exibidos.
Nefarious está mais para um suspense psicológico e só mesmo a menção à possessão demoníaca o faz escorregar para o gênero de terror. Como um bom thriller, deixa pontas soltas para que cada espectador tire suas conclusões:
Seria Brady apenas um manipulador excepcional? Um stalker? Um psicopata com transtorno dissociativo de personalidade? Um homem perverso com mania de grandeza? Ou ele de fato está possuído?
No papel do psiquiatra, Jordan Belfi, mais conhecido pelos trabalhos em séries de TV, conduz seu personagem com bastante competência em meio a todas estas possibilidades. Flanery demonstra grande versatilidade para transitar com rapidez e naturalidade entre o atormentado Brady e o controlador Nefarious.
O único senão à sua atuação está nos cacoetes constantes – e irritantes – com que ele intercala as falas do demônio. Não há como saber se a culpa é de Flanery na composição do personagem ou de um direcionamento dos diretores Chuck Kozelman e Cary Solomon.
A dupla, aliás, já dividiu o roteiro e direção de várias produções. Curiosamente, as mais conhecidas, Deus Não Está Morto (2014) e Você Acredita? (2015), exploram temática similar ao colocar em dúvida a fé dos protagonistas.
Aposta arriscada
No meio da acirrada concorrência para ver quem dá mais sustos na plateia, Nefarious faz uma aposta arriscada de enveredar pela exploração psicológica e economizar nos efeitos especiais, nos cenários, no elenco.
No dia de sua estreia no Brasil, 2 de novembro, o filme contava com apenas 17 críticas profissionais no agregador de resenhas Rotten Tomatoes, e o prognóstico não era nada bom: apenas 35% de aprovação. Já no lado que importa, o da audiência, este índice positivo é de espantosos 96%.
Na dúvida, vá conferir e fazer tirar sua própria conclusão. Nefarious está em cartaz no Shopping Franca.







