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Costurando sonhos que cruzam fronteiras: a   figurinista francana Angelica Martins leva a arte brasileira ao reconhecimento mundial

Com o projeto Wings of Imagination (Asas da Imaginação), Angelica Martins conquistou o troféu de bronze no World Stage Design 2025, nos Emirados Árabes. Única brasileira premiada em sua categoria, a artista celebra o feito enquanto reflete sobre os desafios e a importância de valorizar os bastidores da criação cênica.

A francana Angélica Martins levou o nome da cidade ao cenário internacional ao conquistar o troféu de bronze no World Stage Design 2025, realizado nos Emirados Árabes. Única brasileira premiada em sua categoria, a figurinista celebra o reconhecimento mundial e chama atenção para a importância de valorizar os bastidores da criação cênica. O festival, considerado o maior do mundo dedicado ao design para as artes da cena — muitas vezes chamado de “Jogos Olímpicos do design teatral” — acontece a cada quatro anos e reúne profissionais de diversos países. Em seu relato sobre a experiência, Angelica compartilhou sua trajetória, marcada por dedicação às artes, criatividade e resiliência, além de refletir sobre os desafios de conquistar espaço sem apoio institucional. Confira:

“Desde pequena, o universo da arte sempre me cercou. Circo, dança, música, pintura, bordado e escultura tiveram participações especiais em meu repertório artístico. Mas foi na criação têxtil, unindo técnica e imaginação, que encontrei meu ponto forte. Transformar tecidos em personagens, histórias e mundos possíveis se tornou minha forma mais profunda de expressão

Ao longo de mais de uma década de atuação no interior de São Paulo, dediquei minha vida à criação, à formação e à gestão cultural. Fundei e dirigi um espaço de artes circenses – a Hup, produzi festivais, atuei em projetos educacionais e mergulhei de corpo e alma no estudo dos figurinos cênicos, essa linguagem silenciosa que fala tanto sobre quem somos em cena.

Em 2025, minha trajetória ganhou novos contornos quando fui selecionada para representar o Brasil no 6° World Stage Design, o maior festival internacional de design para as artes da cena. Levei comigo o projeto “Wings of Imagination”, criado para o espetáculo “Offline — Dê Asas à Imaginação”. Fui a única brasileira na categoria Designer de Figurinos em Ascensão, e para minha alegria e surpresa, voltei para casa com o troféu de bronze.

Foi um momento de enorme emoção e, ao mesmo tempo, de reflexão. Apesar da relevância do feito, para viabilizar minha presença no evento não recebi apoio público ou privado — nem de Franca, nem de instituições nacionais. O suporte veio de onde sempre nasce a força primordial: da minha família e dos amigos próximos, que se mobilizaram em uma campanha de financiamento coletivo para tornar possível levar meu trabalho ao outro lado do mundo.

Esse contraste — entre o reconhecimento internacional e a ausência de valorização local — me fez pensar sobre o quanto a arte e os setores técnicos criativos ainda são pouco compreendidos. O design de figurino, por exemplo, vai muito além da estética: ele traduz identidades, emoções e atmosferas; conecta o visível e o invisível da cena. É uma área fundamental para o desenvolvimento cultural e simbólico da sociedade.

Hoje, de volta ao Brasil, sigo com o coração cheio de gratidão e com uma certeza: quero continuar criando. Estou aberta a novos projetos de figurino, cenografia e colaborações artísticas, além de seguir desenvolvendo meus projetos autorais. Acredito que cada criação é uma forma de inspirar e fortalecer o olhar sensível do mundo.

Receber um prêmio internacional é uma honra, mas o verdadeiro reconhecimento virá quando a arte e seus bastidores forem vistos como pilares essenciais da nossa identidade coletiva.

Finalizo este relato com um agradecimento especial à Melissa Marghilet, uma das poucas vozes em Franca que, por meio deste portal Notícias de Franca, tem aberto espaço para a arte local e para dar visibilidade a trajetórias como a minha. Sua escuta atenta e generosa faz diferença para que histórias de bastidores também ganhem luz.”

Melissa Marguilet

É contadora de histórias, atriz, escritora, recreadora infantil e fundadora da Acim

3 Comentários

  1. Excelente matéria!!! Valorizar os talentos regionais que projetam a cidade e o país para o mundo como de Angelica Martins, é fundamental e necessário. Para não dizer que é um ato de inteligência social e comunitária. Parabéns pela abertura do espaço Melissa.

  2. Agradeço à Melissa e ao jornal Noticias de Franca por esta abertura a dar voz e visibilidade as artes da cena e à minha atuação nesta profissão maravilhosa.

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