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Baltazar Gonçalves agora integra a Academia Francana de Letras

O escritor Baltazar Gonçalves foi eleito pelos imortais da AFL e passa a fazer parte da Academia. Ao lado dele, também foram eleitas Regina Bastianini e Vanessa Maranha (leia aqui).

Feliz com a honraria, Baltazar falou à Folha de Franca a respeito desse momento e contou um pouco de sua trajetória.

“Recebi com alegria a notícia da minha eleição pelos imortais da AFL, o sentimento é de gratidão a todos que caminharam ao meu redor, aos que vieram antes. A responsabilidade é grande, mas com ela vem a liberdade com que aquele genial poeta sempre se expressou: devo honrar a cadeira de n.20 que representa o grande poeta goiano radicado em Franca Ygino Rodrigues cuja obra, na virada do século XIX, sinalizava rupturas com a escola parnasiana introduzindo elementos simbolistas em sua vasta obra pungente.  

Eu sou francano, filho de mineiros que chegaram a estas três colinas movidos pelo êxodo rural nos anos 60 em busca do eldorado progresso. Na adolescência trabalhei em fábrica de calçados, depois numa agência bancária. Sempre estudei em escolas públicas, me formei em universidade pública  e, há 25 anos, leciono História desde as séries iniciais ao ensino superior.

Em 2019 lancei o livro “Tecido na papelaria” e em abril de 2021 o “Depois eu conta: diário dos miseráveis” inspirado tanto na obra de Vitor Hugo quanto nas mazelas desse período de retrocesso político-sanitário pandêmico que estamos vivendo no Brasil. Organizei e publiquei duas edições do projeto “Tanto mar entre nós” reunindo 40 autores/as lusófonos, falantes do idioma português,  de Angola, Moçambique, Portugal e Brasil (incluindo 6 autores/as de Franca).

Como agente cultural, tenho dois programas no youtube: o “Lusobrasilfonia”,um espaço democrático para o debate sobre o idioma que falamos e que nos torna brasileiros hoje exportadores de cultura para o mundo. E o programa“Diáspora Reversa: Literaturas”, onde também recebo convidados e profissionais que lidam diariamente com as tecnologias da palavra, seja na expressão escrita, falada, cantada, grafitada, fotografada, noticiada, adaptada, revisada, traduzida em gestos e dança, e mais, a palavra alfabetizadora e transformadora que liberta e empodera para a vida nós falantes do idioma herdado no processo de colonização.

A Literatura me dá tudo que realmente preciso, alimenta sonhos e promove conexões com realidades diversas. A literatura nos impulsiona elevando-nos, Ela nos dimensiona no tempo-espaço esboçando o real tamanho da insignificância e da realeza humana no amalgama da História.

Homenageando o grande poeta, agora patrono, Ygino Rodrigues,faço das dele minhas palavras de gratidão por ser recebido na confraria da Academia Franca de Letras:

TRILOGIA MÍSTICA

Aqui, neste remanso, neste oásis,

Onde o silêncio confortante paira,

Doce ninho de uma alma que desvairia,

Ó Santa Inspiração, o que me trazes?

Coberto de luar, de finas gazes,

Cheio de unção de eleitos mensageiros,

Mais alvo que os alvíssimos nevoeiros

Que desce do alcantil da serra às bases

O Espírito me disse: – Avante! Segue!

Resiste à tentação, que não te cegue,

A luz falsa do mundo e da vaidade…

Dou-te três companheiros de viagem

Co’os quais não perderás tua coragem:

Trago-te a Fé, a Esp’rança e a Caridade!

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