Opiniões

Violência da extrema direita e a consciência das organizações
populares.

Brasília, capital do país, no dia 8 de janeiro, parecia jogo de futebol, milhares de pessoas, vindas de todo os cantos do Brasil, vestindo em sua grande maioria camisas amarelas da seleção canarinho, símbolo de orgulho do esporte que somos mundialmente referência. Por volta das 15 horas cânticos entoados, barulhos de fogos, uma explosão de emoções sórdidas.

Mas na verdade, não era jogo da seleção, eram fascistas, que de forma orquestrada, produziam terror e atentavam contra a democracia brasileira. A inoperância por parte de militares denunciava o jogo combinado entre cabeças do atentando com autoridades civis-militares, todos com um único objetivo: derrubar um presidente legítimo, eleito pelo voto popular no sistema que é considerado no mundo um dos mais seguros.

Alemanha, 9 e 10 de novembro de 1938, militantes, simpatizantes em meio às comemorações da tentativa de golpe na Baviera, promoveram quebraquebra, perseguições, assassinatos em todo país, judeus e minorias eram alvos e quando encontrados pessoalmente, eram espancados até a morte. Essa noite ficou conhecida como a “Noite dos Cristais”, e deu início ao aprisionamento em massa de judeus, homossexuais, ciganos e comunistas em campos de concentração. Adolf Hitler e Joseph Goebbels, articularam juntos com os grupos nazista para que a violência contra as minorias fosse possível.

Poderia citar outros exemplos históricos, como a violência dos Camisas Verdes do movimento integralista, ou quando o Brasil no dia 31 de março de 1964 dormiu na democracia e acordou na ditadura que durou 21 longos anos. A tática da extrema direita é clara o uso da violência como forma de fazer política, criar instabilidade ou a aparência dela, para forças as instituições agirem e o terror como golpe político contra determinados grupos.


O terrorismo produzido em Brasília é resultado de anos de crescimento fascista em nosso país, o discurso de criminalização da política, da pobreza, das minorias e das organizações da classe trabalhadora, produziu uma massa de pessoas com essa visão de mundo extremista, que pretendem exterminar, inclusive fisicamente, quem pensa diferente.

A responsabilização das forças antidemocráticas e da extrema direita será de fundamental importância para garantir, pelo menos, circunstancialmente, normalidade democrática, mas é insuficiente se queremos afastar de forma definitiva o fascismo e sua visão autoritária de mundo.

A saída será por mais democracia. Esse momento mostra que precisamos evoluir de uma democracia formal, para uma democracia onde o povo de fato tenha poder. Garantir o fortalecimento de organizações políticas e sociais da classe trabalhadora, permitindo cada vez mais a participação direta da população nas decisões de estado em todos os âmbitos. O Voto e a representação são importantes, mas o fortalecimento e o empoderamento de organizações populares são vacinas eficientes contra o vírus do autoritarismo.

Às forças democráticas-populares e da classe trabalhadora, cabem o papel nesse momento de voltar às ruas e combater a visão fascista de sociedade. A democracia é uma conquista do povo e da classe trabalhadora, do Brasil e do mundo, defendê-la é garantir nossa liberdade.

Autor: Carlos Machado. Historiador e militante do PCB

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