Opiniões

Vão continuar morrendo

Filho criado, trabalho dobrado.

Coitados dos pais. Quando adolescentes, são rebeldes. Adultos, se acham donos de seus narizes.

Nas barrancas do Rio Grande, dividindo nosso estado com Minas, é de lá que vêm essas imagens[i] de descaso e de abandono do poder público, que são uma atração para aventuras, acidentes de todo porte e mortes:

– um adolescente, de 14 anos, morreu afogado na tarde do último sábado. Ele saltou da ponte metálica, que ligava Igarapava, SP, a Delta, MG, no Rio Grande.

O local está interditado por problemas estruturais, mas continua sendo frequentado por jovens nos fins de semana.

Segundo a Defesa Civil, dois adolescentes pularam no rio. Um deles, o mais novo, teria ficado preso entre pedras e galhos submersos e não conseguiu voltar à superfície. O trecho tem mais de seis metros de profundidade.

Corpo

Um mergulhador, que estava por ali, ajudou nas buscas e conseguiu localizar o jovem, que ficou submerso por cerca de 40 minutos. Equipes iniciaram manobras de ressuscitação ainda no local.

O garoto foi levado para a Santa Casa de Igarapava, onde médicos tentaram reanimá-lo por quase uma hora, mas ele não resistiu.

A vítima havia se mudado recentemente para a cidade de Delta. Outro jovem, que estava com aquela vítima de afogamento, também entrou na água para ajudar e quase se afogou.

O rio estava agitado por causa da chuva pouco antes do acidente. A usina hidrelétrica da região reduziu o fluxo de água para ajudar os mergulhadores na busca.

Inércia e fator de riscos

A estrutura de metal é pública.

Tem que ser mantida ou desativada pelo respectivo dono, quando não com nível de convênios e outras modalidades de parcerias.

Conhecida com a Ponte da Revolução, o trampolim enferrujado do qual pulou para a morte o menino recém-chegado a Delta, está interditada desde o início de fevereiro de 2025, com o seu fechamento total devido a graves riscos estruturais e de segurança.

A Universidade Federal do Triângulo Mineiro, de Uberaba, é a instituição que fez e emitiu laudos técnicos que apontaram desgastes severos, incluindo rachaduras, corrosão e problemas estruturais, tornando a ponte perigosa.

O que mais o governo mineiro está esperando para demolir, implodir ou sabe-se lá o que para fazer desaparecer essa ponte?

E a história desse bem público, que é de 1915, construído com peças vindas da Inglaterra e da Alemanha? É outra história, porque quem tinha o dever de o conservar e preservar estava e se mantém desmemoriado.

O governo federal tem de responder por sua irresponsabilidade para com a segurança de todos.

Sabe por quê?

A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro pertencia à União. A responsabilidade pela estrutura cabe, salvo muito melhor juízo, à Superintendência de Patrimônio da União (SPU), também da União.

Vidas se vão, entre um salto e outro, garranchos, pedras e outros obstáculos ocultados naquelas águas.


[i] @correiosudoeste

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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