Ruínas…

Durante décadas, fotografei uma ruína…vi a natureza brotar nos desvãos, folhagens cobrindo paredes desabadas, galhos de árvores a penetrar os vidros quebrados das janelas, chão de cimento fraturado, emergindo mini belezuras, “flores do campo”, resilientes.
Vejo agora máquinas misturando escombros… terra-pedra-troncos-galhos: vai nascer nova construção. Hora a hora a agonia do passado que se esvai…será lembrado? Pás enormes carregam entulhos, sei lá para onde.
José Luís Peixoto, poeta português, escreveu As ruínas do Eu. Interiormente também demolimos velhos “eus” arruinados, entulhados, a temer novas construções…
Pobre Brasil! Destruições e genocídios desde sua “descoberta” em 1500. Índios, negros…também às voltas com destruições…desde sempre, e agora.
Assistimos – passivos! – ao genocídio intelectual, moral, manifestação de ódios e intemperanças, demonizações reducionistas, desavergonhadas! Quem não sabe argumentar ao definir oposição, racionalmente, de um pensar-sentir, demoniza!
Quem teme o novo, costuma destruir esperanças, derruba a fé.
“Brasil, mostra sua cara!”
Se não podemos mais nos dizer povo pacífico, que venha força para construirmos – juntos – caminhos sólidos, seguros: pluralidade respeitosa para novas gerações…




Espero que a verdade ultrapasse toda demonstração de ódio, medo e intelectualidade diminuída que vejo, sinto em amigos e parentes abrindo rachas talvez intransponíveis.
A história desse país um e nossos netos não merecem essa herança maldita. Somos poucos nesta cidade, mas tenho esperança!