Opiniões

O Rei do Rock está de volta!

Inovadora e brilhante, cinebiografia Elvis, que estreia nesta quinta-feira, relembra por que o astro é um dos mais admirados e queridos no mundo todo 45 anos depois de sua morte

Os fãs de cinema e do bom e velho rock’n roll não têm do que se queixar. Depois de Um Broto Legal, que reconta a carreira de sucesso de Celly Campello, agora é a vez de Elvis, a mais nova cinebiografia do Rei do Rock, que desembarca nos cinemas de Franca nesta quinta-feira, dia 14.

Elvis não é a primeira e certamente não será a última biografia em vídeo do artista solo que mais vendeu discos até hoje. O que o longa dirigido por Baz Luhrmann (Moulin Rouge: Amor em Vermelho) tem de diferente, e por isso mesmo inovador, é história contada pelo ponto de vista de seu controverso empresário, “Coronel” Tom Parker (vivido por Tom Hanks). Parker talvez não seja a melhor testemunha dos fatos – ele chegou a ser julgado por extorsão pela forma como explorou a carreira de Elvis –, mas é fato que poucas pessoas acompanharam tão de perto a vida e carreira do astro nos vinte anos entre sua ascensão e morte.

Em vez de se ater a detalhes da origem humilde de Elvis na pequena cidade de Tupelo, Mississipi, a história volta ao passado para explorar as raízes da influência da música negra – o gospel e o blues em particular – no ritmo que ele tornaria universal nos anos seguinte e que, num só tempo, provocaria escândalo nas gerações mais velhas e encantamento nas mais novas. É inegável que Parker foi o grande responsável por transformar o jovem cantor no maior ícone mundial da música. Foi graças ele que Elvis (interpretado magistralmente por Austin Butler) assinou contrato com uma das maiores gravadoras da época, a RCA Victor, dominou as paradas musicais das rádios e rodou boa parte dos Estados Unidos conquistando fãs.

A partir daí, a trajetória de Elvis entra numa ascendente estonteante. Seu estilo rebelde, a performance sensualizada nos palcos e a preferência pela música negra provocam a ira dos conservadores e o forçam a uma pausa para servir o Exército na Alemanha. Foi lá que ele conheceu a paixão da sua vida, Priscilla (Olivia DeJong), então com 14 anos (dez a menos que ele), com quem se casou sete anos depois, em 1967. O casal teve uma filha, Lisa Marie, e se divorciou em 1973.

Retorno conturbado
O retorno conturbado, que envolve desde sua contrariedade em encarnar uma versão mais “familiar” por exigência de Parker até o retorno às origens musicais e um contrato massacrante de apresentações num hotel de Las Vegas, culmina, como se sabe, num astro exausto, viciado em remédios e, finalmente, morto prematuramente aos 42 anos.

Para imprimir mais dramaticidade à trama (ou talvez seja só a visão distorcida do narrador, Parker), Elvis toma algumas licenças poéticas. Por exemplo, a contratação de Elvis por Parker no alto de uma roda gigante, a amizade com B.B. King no início da carreira, a demissão de Parker muitos anos depois durante um show ao vivo. Da mesma forma, para retratar uma vida tão repleta de altos e baixos em 160 minutos, alguns fatos ficaram de fora, como o relacionamento com Linda Thompson após o divórcio, o encontro com os Beatles e a polêmica reunião com o presidente Richard Nixon. Nada disso, no entanto, compromete o resultado já que Elvis tem um roteiro bem amarrado e é bastante eficiente a contar a história que se propõe.

Luhrmann dirige seu filme com competência e paixão, ao mesmo em tempo em que Butler se entrega ao papel de tal forma que fica praticamente impossível distinguir se é ele ou uma imagem de arquivo quem interpreta a derradeira Unchained Melody. É o ator, inclusive, quem interpreta de própria voz as canções de Elvis no início da carreira. Somente nas mais tardias, quando o astro adquire um tom mais grave, Butler dubla as versões originais.

Embora a lenda de Elvis, sua ascensão e queda sejam conhecidas, revê-las de forma tão bem conduzida deixa um nó na garganta. Como compensação, a trilha sonora, as apresentações ao vivo e na TV trazem a lembrança dos bons tempos e reforçam por que Elvis foi – e sempre será lembrado – como o Rei do Rock.



			
		

Jota Silvestre

É apaixonado por cultura pop, é jornalista especializado em cinema, séries, animação e histórias em quadrinhos, com mais de 15 anos de experiência em publicações especializadas.

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