Opiniões

O Brasil na COP 27

Será realizada entre os dias 6 e 18 de novembro de 2022, em Sharm El Sheikh, no Egito, a COP 27 – a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas. Trata-se de mais uma tentativa de reunir as principais lideranças mundiais em um evento de interesse de toda a humanidade: discutir o relatório do IPCC – Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, publicado em fevereiro de 2022. Até por uma desídia geral no cumprimento das metas estabelecidas em Convenções anteriores, a necessidade de diminuir as emissões de carbono na atmosfera vai se tornando cada vez mais urgente.

Não é tarefa fácil em tempos de polarização global, com pessoas se juntando em torno de ideologias de direita de um lado, negando as mudanças climáticas, e em torno de ideologias de esquerda de outro, mais simpáticas à causa ambiental, mas sem o empenho necessário. O objetivo é alcançar consenso sobre medidas que diminuam as emissões para impedir o aumento de 1,5 graus na temperatura da Terra em relação ao período pré-industrial e evitar a ampliação dos eventos climáticos extremos que temos visto em todo o globo.

E que eventos são esses? Sabemos que as geleiras do ártico estão desaparecendo, que as que cobriam o continente Antártico estão encolhendo velozmente, que os gelos eternos do Kilimanjaro estão sumindo do horizonte, os da Europa e Ásia idem, que a água doce está desaparecendo da superfície do planeta, que os grandes rios da Amazônia estão se tornando cursos d’água sazonais. Não restam dúvidas que o clima da Terra está mudando rapidamente.

“O aumento da frequência e a intensidade desses eventos ameaçam a saúde e a segurança de milhões de pessoas ao redor do mundo, tanto por impacto direto quanto por consequências das dificuldades para produção de alimentos e acesso a água potável”, destaca o TNC – The Nature Conservancy – ONG que se dedica à conservação da biodiversidade do planeta, baseado no último relatório do IPCC- Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.

E há muito mais: as florestas do mundo estão ardendo o ano inteiro, nas Américas, na Europa, na África, na Oceania, na Ásia, o nível dos oceanos está subindo, em consequência do derretimento do gelo dos continentes, ameaçando as cidades costeiras. Os cientistas vêm alertando sobre o aparecimento de pandemias – que após a Covid-19 todos já sabemos o que significam – em consequência da destruição das florestas do planeta… Portanto, esses males não podem ser tratados apenas do ponto de vista ideológico!

Há esforços pessoais e de instituições que heroicamente vêm tentando fazer alguma coisa por conta própria para preservar o meio ambiente. No entanto, são pouco mais do que beija-flores tentando apagar grandes incêndios. E o pior: as pessoas envolvidas são tachadas de comunistas pela direita radical, e de fantasiosos pela esquerda que, apesar de andar bem quando combate a desigualdade social, de modo preconceituoso costuma ver a preservação do meio ambiente como obstáculo ao combate à pobreza. A a tarefa de cuidar do planeta é árdua e deve contar com todos, principalmente com os governos.

Enfim, a COP 27 é uma nova oportunidade. O Brasil está convidado. Precisamos voltar os olhos para o que acontece lá, desarmados, e cobrar das autoridades seriedade para com a questão ambiental. Temos uma das maiores biodiversidades do planeta e precisamos cuidar dela com responsabilidade. A participação do Brasil não pode ser resumir a tentativas de tirar proveito econômico, como tem ocorrido em eventos anteriores. Temos de cobrar atuação de protagonista, o País tem que assumir compromissos. A maioria da população do Brasil é pobre e, por isso, uma das que mais sofrem ou vão sofrer com os efeitos das mudanças climáticas. O País precisa adotar visão mais abrangente sobre a matéria e acabar de vez com o preconceito em relação aos temas ambientais.

Dr. José Borges

Advogado (Formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca); especialista em Direito Civil e Direito Processual Civil e em Direito Ambiental. Foi Procurador do Estado de São Paulo de 1989 a 2016 e Secretário de Negócios Jurídicos do Município de Franca. É membro da Academia Francana de Letras.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo