Opiniões

“Michelle no céu com diamantes”.

Em uma tarde qualquer londrina Julian Lennon um garoto de apenas 6 anos de idade chega em casa e mostra o desenho, que fizera junto com a sua amiga de sala Lucy. O desenho era de uma criança toda colorida olhando para um céu cheio de diamantes. Seu pai pergunta que desenho que era aquele e ele prontamente responde: Lucy In the sky with diamonds (Lucy no céu com diamantes).

Seu pai era ninguém menos que John Lennon, vocalista e compositor dos Beatles e talvez um dos músicos mais influentes do século XX. Curioso com a imaginação do seu filho compôs essa música que leva justamente o nome do desenho feito pela criança. Muitos o acusaram de produzir essa música em função de uma viagem de LSD, mas, na verdade era apenas a representação do olhar de uma criança sobre a amiga que ele admirava, por isso, colorida no céu com a diamantes.

Lucy in the sky with diamonds, provavelmente, vale mais do que muitos quilates de diamantes. A sensibilidade e a sacada genial da música a transformaram em uma das músicas mais conhecidas.

E aqui, provavelmente, estarei próximo de cometer a maior heresia possível, usar essa belíssima obra de arte para ironizar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Acompanhamos, nos últimos dias, a tentativa do tenente do Exército Marcos Soeiro de entrar com um colar de diamante avaliado em 18 milhões, a pedido de outro militar o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, que é almirante.


Diferente da música, não há nada de ingênuo no presente do ditador saudita Mohamed bin Salman. Ele provavelmente não vê a Michelle, como Julian via a Lucy, era provavelmente propina mesmo, pelos serviços prestados por Jair Bolsonaro contra o país e por ter entregue uma refinaria por 10% do seu valor de mercado.

O antigo governo tentou diversas vezes e por canais diferentes, reaver as joias. Inclusive usaram militares, provavelmente, “para não levantar suspeita” na hora de entrar no país. Como os funcionários da Receita são concursados e tem estabilidade, apenas cumpriram a lei, apreendendo e não entregando as joias. Abrindo um parêntese, por isso essa gente não gosta de funcionário público de carreira, pois esses são mais difíceis de se deixarem pressionar por vontades individuais daqueles que detém o poder.

O que mais me chama a atenção é a justificativa do casal Bolsonaro. Enquanto um diz que agiu dentro da legalidade, mesmo pressionando e tentando enviar as joias sem declarar, a outra diz que não sabia, mesmo já tendo usado. Ou seja, militares e clã Bolsonaro realmente acreditam que tudo podem, e que qualquer desculpa, por mais inverídica que ela seja, funciona.

Em um país entregue por esse governo que estava à beira de um colapso social, com desemprego, fome e genocídio, tentar afanar joias que pertencem ao Estado brasileiro é a apenas a estrofe de uma música muito ruim, que foi trilha sonora na vida de todos nos últimos quatros anos.

E aqui peço licença para cometer outra heresia. A trilha sonora da Michelle deveria ser outra belíssima música, não pela sua qualidade, mas pela sua crítica. Stairway to haven da banda de rock Led Zeppelin. A música critica a insensatez de uma senhora que acredita que tudo que reluz é ouro. E ela tem a pretensão de poder fazer de tudo, inclusive comprar uma escada para o céu.

Na música, quando ela chega ao céu, tudo estava fechado e por sua vez, acreditando que tudo pode, tenta ordenar novamente a reabertura de tudo, ou seja, sua insensatez não tem limite. Assim, ambas acreditavam que estavam em um “céu de diamantes”, mas, ao chegar ao céu perceberam que todos começaram a entoar as canções que levavam à razão. Desta forma, a sua estupidez de acreditar que tudo podia, se transformou em seu martírio, sua prisão.

Os funcionários da Receita, no devido exercício de suas atribuições,  entoaram a razão e podem ter contribuído, para que tanto Michelle como Jair paguem pela delirante estupidez de que podem tudo.

Carlos Machado

É Professor Historiador e Militante do PCB.

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