Dirigir olhando para o retrovisor

E daí, se estamos no chuvoso, abafado e malemolente verão e no sem-parar de posses e investiduras em cargos eletivos e de confiança (dos eleitores, quase nunca!), em todos os escalões e níveis das escadas do poder dos poderosos do turno 2023/2026, por todo o Brasil?
– Seguinte – corta o gago e ignaro influenciador de multidões de indefesos seguidores pouco chegados à leitura de bons livros e indispostos a ouvir, que seja, os mais experientes, diplomados nas escolas das dificuldades diárias! -, qual é?
Deslocado, reajo no papo reto, cheio de curvas, dos gráficos da economia brasileira e dos interesses das interesseiras vozes desta, fixado no retrovisor e nos diários que os governos do PT, comandados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e pela president(a) Dilma Rousseff, de 2011-2016, instalaram e deixaram na condução da pátria.
A Rainha dos Memes palaciana me cutuca e declama:
Nunca me esquecerei desse acontecimento
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
Tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra.
Apelo a Drummond, de 1928, para dizer à ex-segunda-mandatária (e ela sabia o porquê de não ser a primeira), que devia temer Temer. Não deu bola, rodou. Pelé não tocou na redonda. Pela graça de Deus, não o faria. Hoje, em seu mausoléu, na litorânea Santos, o Rei de Três Corações perdeu-os para o húmus de onde viemos todos.
Tinha uma pedra no meio do caminho.
Quem a escolheu, pelo nome de Michel, por arrogância e sentimento de insubstituibilidade, foi ele, Lula.
O impedimento de governar veio. A pedra se fez pedreiro e edifício, pelo esforço incomensurável dos congressistas que se matam pelo amor ao País, com aquela mãozinha camarada dos que, de uns dias para hoje, em suas togas escuras, do céu do Judiciário, confundem as suas funções e atribuições cristalinamente definidas na Constituição, com as de um Executivo e do namorador Legislativo, dono de uma lascívia de poder que manda para a aposentadoria a mais sedutora das messalinas.
O constitucionalista da USP, traíra por excelência, de todo modo, segue no modo estrela de governar. Era vice. Disse!
Foram dezesseis anos de brincadeiras, de péssimo gosto, com a entorpecente marolinha de uma crise na economia do mundo inteiro, quando o coronavírus dormitava, provavelmente em coma induzido, para o delírio de assaltantes especializados em rombos de cofres públicos.
Mensalão, Rouboanel (opositores bicudos de ontem, aliados de agora), Lava Jato (com tanta água caindo de fontes santas de cascatas de envolvidos de partidos de cores e flores, exemplo de diversidade!), sugerem uma olhada em seus números.
Na sua partida, em 2018, o juízo de direito da nação, o cidadão de bem, eleitor ou não, de esquerda, de direita, de meio termo ou das beiradas, pede um arrolamento sumário, em um quadro de recuperação lenta da economia brasileira, pelo desemprego ainda elevado e pelo crescimento da informalidade:
– expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto): 1,30;
– PIB (a soma de todos os bens e serviços produzidos do país e serve para medir a evolução da economia): 40º lugar dentro do ranking com 42 países, elaborado pela Austing Rating. A lista leva em conta os resultados das maiores economias do mundo;
– percepção de riscos dos investidores com o país: 198,7;
– desempregados no apagar das luzes desses governos: 12,5 milhões:
– dólar: valorização de mais de 16% em relação ao real;
– Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, encerrou com valorização de cerca de 12%, rompendo, pela primeira vez, a barreira dos 90 mil pontos;
– dívida pública: o país fechou no vermelho pelo quarto ano consecutivo. A dívida pública brasileira cresceu a um ritmo acelerado: foi de 62,2% do PIB em 2012 para 87,3%.
Contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal, para pagar despesas que ficam acima da arrecadação com impostos e contribuições): em outubro de 2018, a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou R$ 3,642 trilhões;
– despesas primárias do Governo Central (despesas com pessoal e encargos, outras despesas correntes e investimentos somente do vinculado ao Executivo Federal): atingiu R$ 105,3 bilhões em outubro de 2018;
– dívida externa brasileira: Dívida registrada no Banco Central. Inclui empréstimos intercompanhias, empréstimos para repasse a empresas exportadoras, bridge loans e outras operações com prazo inferior a 360 dias: 559,2169 bilhões de dólares. Disparou a aumentar a partir de 2007;
– combustíveis: os preços dispararam em 2018, impactado pela política de preços da Petrobras. Ao longo de 2018, o avanço no acumulado em 12 meses chegou a passar de 20%;
– educação: qualidade da educação brasileira continuava muito precária. No Pisa, principal avaliação educacional internacional, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática entre 70 países em 2015. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), divulgados em setembro daquele ano, apontam que nenhum Estado conseguiu atingir as metas previstas para o ensino médio, a etapa considerada mais problemática da educação brasileira. Em uma escala de zero a 10, a nota alcançada foi de 3,8;
– pobreza: o Brasil tinha cerca de 50 milhões de pessoas, o equivalente a um quarto de sua população vivendo na linha de pobreza, com renda familiar inferior a R$ 387,00 (isso com dados defasados do IBGE – 2016!);
– saúde: desde 2010, o Brasil perdeu 34 mil leitos de internação da rede pública, ou 12 fechados por dia. Apenas 3,6% do orçamento do governo federal foi destinado à saúde; o que expõe uma escandalosa desproporção, bem abaixo da média mundial, de 11,7%, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde);
– recursos do SUS, sem a devida atualização monetária e da população assistida: pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), aquele congelamento dos gastos representava perdas de R$ 743 bilhões para o SUS no período;
– cobertura de vacinas: o Ministério da Saúde confessou a volta de outras graves doenças erradicadas no país, como a poliomielite e a rubéola, sobretudo, devido à queda na vacinação da população brasileira nos anos de 2016 e 2017.
Bicho papão assustava as crianças ou elas virariam jacaré?
– mortalidade de mães e filhos: aumento na mortalidade materna entre 2015 e 2016 preocupava os especialistas em saúde coletiva do país. Entre 1990 e 2015, a razão mortalidade materna, indicador que mede os óbitos em relação a cada 100 mil nascidos vivos, em 2016, subiu para 64,4. A Associação Brasileira de Saúde Coletiva destacou preocupação semelhante com a mortalidade infantil, que, embora tenha caído em números absolutos – de 37,5 mil em 2015 para 36,3 mil em 2016 -, aumentou em proporção aos nascidos vivos em grande parte do país;
– habitação: o déficit habitacional estimado para o Brasil era ordem de 5,870 milhões de domicílios, dos quais 5,060 milhões estão localizados em área urbana e 809 mil, em área rural; o que representa 8,2% do estoque total de domicílios particulares permanentes e improvisados do país;
– previdência social: o déficit previdenciário alcançou o maior patamar dos últimos dez anos, de R$ 290,2 bilhões, equivalendo a mais de 4% do Produto Interno Bruto, apontava o TCU. A atualização desses números pode infartar estátuas;
– segurança: nunca se matou tanto no Brasil. Em 2017, foram 63.880 homicídios, segundo o Fórum de Segurança Pública, dando o tenebroso título ao Brasil de um dos mais violentos do mundo, com uma média de 30,8 homicídios a cada 100 mil habitantes, ou 175 mortos por dia;
– população carcerária: a terceira maior população carcerária do planeta, após Estados Unidos e China – e as penitenciárias estão cada vez mais superlotadas. Eram 729.463 detentos, dos quais 37% estão presos em situação provisória. Todavia, todo o sistema só possuía 367.217 vagas;
– recursos para a segurança pública: o setor contava com poucos recursos. Em relação ao total gasto pelo governo federal, as despesas com segurança pública respondiam por 2,5% do PIB, contra 4,5% da média de países da OCDE;
– honestidade na política: caímos 17 posições no ranking de 2017 do Índice de Percepção da Corrupção, que mede o quanto a população, empresas e organismos internacionais encaram os países como corruptos. A população percebia o aumento de muita corrupção no Brasil. Aparecíamos na posição 96 de uma lista de 180 países, sendo visto como mais corrupto que países como Timor Leste, Senegal e Marrocos;
– bolsa família: valores da bolsa variavam entre R$ 39,00 e R$ 195,00, os quais, depois de cerca de três anos congelados, tiveram um reajuste de 4,01%;
– fome: de 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de pessoas, conforme dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 de Análise da Segurança Alimentar no Brasil, do IBGE;
– Petrobras: em 2016, estava no 3º ano consecutivo de resultados negativos; ano do impeachment de Dilma Rousseff; o PT não considera o período de mandato tampão do infiel vice como parte de seus governos; foi golpe; e foi mesmo!
A então poderosa estatal teve prejuízo líquido de R$ 14,824 bilhões em 2016. Em 2015, registrou prejuízo recorde de R$ 34,8 bilhões. Em 2014, as perdas somaram R$ 21,6 bilhões.
Dívidas líquidas da Petrobras: R$ 314,12 bilhões;
Saindo do túnel do tempo político-eleitoral, em que fundamentos da economia e regras básicas de prudente e criterioso uso do dinheiro dos governados são conversa para boi dormir, vemos o fim do mandato do capitão Bolsonaro, que fugiu da luta com os seus fervorosos fãs – perdão, eleitores! -, para veranear na mansão do também ex-lutador (de MMA, mamma mia, amico), José Aldo, em solo de Trump, recolocando o Brasil no concerto das nações cujas economias tiveram crescimento. Assim é que com o resultado de 2022, o país ficou entre o 8º e 9º lugar no ranking compilado pela agência de classificação de risco Austin Rating.
Que me perdoe, também, o carinhosamente zoado Rubinho Barrichello, mas esse resultado colocou o Brasil à frente de países como Reino Unido, que teve alta de 0,8% no PIB do primeiro trimestre de 2022 ante o quarto trimestre de 2021; Coreia do Sul (0,8%), Suíça (0,5%), Alemanha (0,2%), França (-0,1%) e Japão (-0,3%) e Estados Unidos (-1,4%)!
É, ele voltou. Voltou nos braços do povo. Um povo ideologicamente rachado pela metade, ao som da marcha ‘esquerda-direita’, ‘esquerda-direita’, com toda a legitimidade que se podia esperar das democráticas eleições históricas encerradas, em dois turnos, em 30 de outubro do ano vencido.
Eleito e realmente reeleito, após receber 59.563.912 votos (50,83% dos votos válidos), empossado no Dia de Ano, com trejeitos de ainda candidato, merecidamente sensibilizado com a outorga popular de seu terceiro mandato, discursa, com ou sem microfone, com a Resistência enfiada em seu colo, com o vergonhoso e extremamente custoso patrocínio não-oficial da Rede Globo.
O falatório é sobre umas tais de pelo menos dez importantes mudanças econômicas no cenário, como a reoneração dos combustíveis, que deve passar pela tentativa de alterar a política de preços da Petrobras, concentração dos primeiros esforços no combate à fome e pelo desenho (não seria um melhor redesenho, zente!) do financiamento do Bolsa Família e outros programas sociais a partir de 2024, perfeitamente, por extenso, ano dois mil e vinte e quatro; não fosse o debate do novo Marco Fiscal, que precisa ser enviado até 31 de agosto ao Congresso. Anuncia a Nave Mãe platinada.
Plim, plim. Zé Simão, nóis num goza e inda nóis paga a conta! Kkkkkk
Já que tem Janja, dá uma canja para nós, Lula. Gente para nos servir não pode faltar. Não são 37 ministérios?
Lava Jato, Lulinha e seu patrimônio, José Dirceu, José Genoíno, Odebrechts, Palavrão Palocci, Mito e suas ex-mulheres e filhos (e seus patrimônios), denúncias de organização criminosa, milícias, lavagem de dinheiro, rachadinhas dos salários de funcionários do gabinete, fake news, tráfico de influência, assédio a menores! Parem com isso! Deu, deu por hoje.
O passado é um ótimo professor.
De olho nessa expressão popular, não façamos ouvidos de mercadores nem coloquemos as mãos no fogo pelos governantes do turno. Se preciso, rodemos a baiana.
O Brasil não é a casa de mãe Joana.
Opositores têm responsabilidades; e como as têm! As mesmas e infantilmente criticadas urnas eletrônicas os elegeram, e chiadeira não se ouviu. Depois, não venham chorar as pitangas!
Lula e Alckmin. Senhoras e senhores, que eles e sua companheirada tenham melhorado de água para o vinho. Tim-Tim, Brasil!







