Opiniões

A política como ferramenta na manutenção do privilégio

O senso de comunidade vai de mal a pior. Impera a subjetividade resultante de interesses particulares que nos dá a falsa impressão de “senso comum”. Há tantas colocações e atitudes individualistas, que organizadas em um pequeno grupo fazem parecer o anseio global, quando na verdade é a amplificação de seus interesses pessoais. Observa-se que pode haver camadas de interesses conforme a importância dentro do “clã”. Aqueles que são dominantes, têm o objetivo de conquistar o poder governamental a seu dispor de modo a explorá-lo em várias frentes. Dentre elas, as mais importantes são: as influências social e econômica.

A primeira não diz respeito apenas à popularidade no meio social que gera coeficiente eleitoral, mas dos resultados oriundos dela. Sobretudo na camada de gestores políticos da República, que dispõem de emendas parlamentares que “financiam” a manutenção de privilégios. Já a segunda, resulta no potencial de colheita de recursos privados de grandes personalidades empresariais e ruralistas com o mesmo fim. Aqui o governo está à disposição do interesse “pessoal” do determinado grupo.

Cabe-me ressaltar que a maioria não é a totalidade. Expressar apoio é chancelar atitudes. Então, penso eu, que há uma necessária reflexão antes de prestar apoio. Ora, qual vinculo de interesse nisso ou naquilo? O que vou ganhar? Vai ser bom para minha família? Estes e outros questionamentos são os ditos “interesses particulares”. Deste modo, quando coloco que “o senso de comunidade vai de mal a pior”, estou dizendo com franqueza que não se observa a solidariedade, a compaixão, o bem estar coletivo, a justiça social, o bem comum, e tantos outros preceitos populares fundamentais, inclusive, muitos deles são normas fundamentais de Estados Democráticos.

A avaliação ética-moral deveria ser: Qual benefício terá toda comunidade com isso? Quais efeitos negativos teremos em nossa comunidade caso não faça aquilo? Perceba que condutas com fins gerais, resultam um número maior de beneficiados. Assim sendo, enfraquece o senso dominante do privilégio. Infelizmente, o que vemos é o derradeiro do “nós”. Tudo é colocado na primeira pessoa do singular. Aqueles que não fazem parte do privilégio, sonham um dia tê-lo alimentando um sistema financiado por uma camada posta no topo da pirâmide orientada pelo viés da exploração popular.


Parafraseando Ciro Gomes, a política é a linguagem da democracia. É preciso descolonizar a política. De tempos em tempos há uma troca de “cores” no poder, observando que a questão governamental é muito mais profunda do que a camiseta. A colonização política trata-se da amarração entre gerações, dispondo “gotas” de pequenos privilégios fazendo com que o “miserável” pense que teve uma ascensão social. Ocasião que na verdade está sendo peça de exploração do sistema. As ditas “gotas” leia-se: desejos de pertencer à elite. Trata-se de alimentar a vontade de ter seus privilégios.

Portanto, concluo dizendo que: O desejo de ser parte da elite os cegam de modo que a dignidade não seja um valor importante. Por esta razão que a educação de Paulo Freire é perseguida, pois ela defende uma educação libertadora e transformadora que rompe com o sistema. O pior sujeito é aquele que defende o opressor sendo parte dos oprimidos. É tão canalha quanto o opressor. Parasita.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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