Opiniões

A ótica Filosófica sobre a Política

A Filosofia antiga teve o seu início por volta dos anos 600 a.C. na Ásia Menor e terá o seu término no ano de 529 d.C., quando o Imperador Justiniano ordena o fechamento da Escola de Atenas e confisca os seus bens. No decorrer da Filosofia Antiga vai acontecer a passagem do Mito à Ciência. Os Sofistas fizeram pesquisas sobre o problema do homem compreendido como cidadão. Foram os grandes maestros da eloquência, indispensável à carreira política da classe dirigente. Nasce assim, a retórica, entendida como o estudo da arte do discurso elegante, mas também coerente e lógico.

Segundo Sócrates, o homem deve tomar consciência de si mesmo: “Conhece-te a ti mesmo”, deve tomar consciência de não saber nada. O saber é a consciência moral. Quem chega a esta maturidade do saber, poderá realizar somente o bem. O homem virtuoso é uma pessoa feliz. A Felicidade consiste em viver livre dos condicionamentos da civilização.

A Doutrina Política em Platão. Ele busca um Estado Ideal perfeito. Os Estados existentes, de fato, não consideram aquilo que existe de eterno no homem. Ele foca na ideia da autoridade do Estado e também na ideia da justiça em relação aos cidadãos, ou seja, limita os direitos das pessoas em particular. Os cidadãos devem ser educados aos cuidados do Estado de forma desinteressada. Platão propõe o coletivismo.

Já Aristóteles divide o Universo em duas regiões nitidamente opostas entre elas: a região terrena e a região celeste. O mundo terrestre é mutável e imperfeito e está sujeito à corrupção, enquanto que a região celeste é imutável, pois Aquele que o move é perfeito, é eterno e incorruptível. A alma humana possui três graus: a função vegetativa, a sensitiva e a racional. Ele identifica o fim das ações humanas com o bem. O sumo bem se identifica com a felicidade. Para ele, a felicidade não se realiza no plano individual, mas somente no contexto social. O homem é por natureza um ser social. Aristóteles não vai em busca de um Estado Ideal, como fazia Platão, mas se fundamenta na importância do impulso da vontade na realização do bem, ou seja, a Política não é ciência do abstrato. Ele propõe o realismo contrapondo ao idealismo de Platão. A sua filosofia tem suas raízes na realidade.

Para Epicuro o prazer é um bem e a dor é um mal. Para ele a vida política é somente causa de perturbação, pois a Família e o Estado tem laços de responsabilidades que tornam difícil a conquista da felicidade. Por isso mesmo, o sábio epicurista se esquiva dos compromissos da vida política e vive retirado do mundo.
Os Estoicos, no campo político, superam os ideais da família e do Estado e passa a se sentir um cidadão do mundo, ou seja, um cosmopolita. A melhor forma de governo para eles, nasce do equilíbrio entre democracia, monarquia e aristocracia.

Moral da história: a Política não pode se basear em ideais, ou seja em ideologias, mas sim na organização concreta da sociedade, onde aqueles que governam, exerçam o seu compromisso ético na Política e busquem a realização da justiça e do bem comum daqueles que eles governam. Nós, como cidadãos e cidadãs responsáveis, não podemos tirar o nosso corpo fora, mas nos preocupemos também com bem do nosso País, exercendo os nossos deveres de cidadãos de forma responsável.

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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