A COP-26 e suas metas

Quando as chaminés das indústrias começaram e encobrir os campanários das igrejas, quando as grandes extensões de terras livres – que constituíam campos comuns de cultivo e de pastagens na Inglaterra – começaram a ser demarcadas, em meados do século XVIII, teve início a Revolução Industrial, que veio acentuar a noção de propriedade, de patrimônio individual. Começava aí o capitalismo industrial com grandes transformações da natureza pelas máquinas a vapor recém-inventadas.
Como consequência, começava também um período das grandes emissões de gases poluentes na atmosfera, que vêm crescendo de modo contínuo e que hoje causam mudanças assustadoras no clima da Terra. Por isso, conter as causas dessas mudanças constitui um dos principais problemas tratados das Convenções da ONU nos tempos atuais. E com esse objetivo começou no último dia 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia, a COP-26, que se estenderá até o dia 12 de novembro de 2021. Serão treze dias em que as várias nações reunidas tentarão estabelecer metas que cada qual cumprirá com o objetivo nobre de limpar o planeta, para viabilizar a continuidade da vida para as futuras gerações.
Mas problemas importantes se opõem.
A China, por exemplo, justifica não conter as suas emissões no momento porque tem como prioridade incorporar 400 milhões de pessoas ao mercado de trabalho. E para isso precisa continuar crescendo. Por isso, propõe zerar suas emissões a partir de 2050! A Índia também alega contar com quase um bilhão de pessoas nas mesmas condições – desempregadas – e por isso precisa crescer o quanto antes. Não se pode dizer que não sejam importantes as razões de ambos os países. Os desempregados chineses correspondem ao dobro da população do Brasil. Os da Índia, cinco vezes a nossa população!
Os Estados Unidos, por seu lado, tentam retomar a liderança nessa luta por zerar as emissões de gases poluentes. Mas o presidente Joe Biden claramente enfrenta oposição no seu próprio País, porque praticamente não conta com votos republicanos. E tem contra si a desconfiança criada pelo presidente anterior, Donald Trump, que por quatro anos negou o aquecimento global, fazendo crescer as emissões no seu País, além de se afastar de todos os acordos climáticos internacionais. E continua atuando contra Biden desde a sua trincheira ideológica, com apoio de parte da população conservadora americana…
O Brasil, recentemente alçado à condição de quarto maior poluidor do mundo, atrás apenas da China, dos EUA e da Rússia – que alcançou esse posto com a conversão da Floresta Amazônica de polo sequestrador de carbono em fonte de emissão de gases do efeito estufa, por conta das queimadas! – também apresentou proposta de redução de emissões modesta, inferiores à de 2015, e sem apresentar um plano específico de como vai concretizá-la e ainda pretende iniciá-la no ano que vem.
Além dos problemas econômicos e ideológicos, as metas para reduzir as emissões de poluentes enfrentam questões de ordem política. Mas parece que aos poucos o aquecimento global vai sendo tratado como uma questão separada, desvinculada, como um problema da humanidade. O Planeta, mais do que nunca, precisa desse passo civilizatório. Mais do que isso, é passo fundamental para as futuras gerações que, não custa lembrar, não são desconhecidos distantes de todos nós. São nossos filhos que estão nascendo, os nossos netos e bisnetos que dependem das nossas ações conscientes de hoje!








Nossa! Concordo plenamente. Com boa vontade e paz na alma o homem é capaz de encontrar soluções para as questões do desemprego e crescimento, pois que elas não servirão de nada se a Terra não for cuidada! Parabéns pela matéria, Dr. José Borges! De forma muito simples e clara o Sr. resumiu o momento da humanidade, que cabe a reflexão a todos.
Que bom que vc pensa assim Marcia. Precisamos discutir essas questões sem preconceitos e prevenções…