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Três Agás – Grande é a tua fidelidade

As primeiras palavras digito com a alma em enlevo, fora do corpo, pois que os pés que estão a tocar o piso cerâmico do meu apartamento perderam a importância. A cadeira giratória se comporta. Como que não mexe. O mais é movimento, é ação do Espírito Santo, em um tabernáculo que requer alvará celestial, todos os dias, para se manter de portas abertas e altar cheirando a incenso que sobe, agradável, às narinas do Pai.

Quanta fidelidade do Senhor para comigo e contigo, leitor, internauta, seguidor, irmão em Cristo e amigo de redes, curioso, adversário oculto e quiçá, ignaro!

O que temos recebido nos têm sido satisfatório.

Alguém há de reclamar.

Que reclame!

Ingratidão é traço do descrente, desviado dos preceitos e mandamentos que vêm de cima. Gente perdida porque se acha.

Embaixo, retidão está mais para uma estrada comprida, sem curvas. Um retão!

O salmista[i] se apresenta aos nossos pensamentos, em boa hora, para declamar orando, adorando a Deus em espírito e em verdade:

Porque a palavra do Senhor é reta, e todas as suas obras são fiéis.

O vernáculo verte que fidelidade é uma característica daquele que é leal, confiável, honesto e verdadeiro.

Quem, dentre e entre nós, reuniria, e de fato e por direito reúne, todos esses subidos atributos que não seja Deus, a própria eternidade?

O pecado a nós nos esfrangalhou moral e espiritualmente. Destituídos fomos da glória d’Ele.

A impressão que decorre dessa introdução é a de que, diante do Trono dos Fiéis, estamos ferrados, arrasados, condenados a sofrer, aos efeitos da praga irrogada feita qual as dores do parto. E de parto normal. Jesus!

Pura precipitação e murmuração.

Poetizo para aliviar a jornada[ii]:

Para sempre, ó Senhor, a tua palavra permanece no céu.

A tua fidelidade dura de geração em geração; tu firmaste a terra, e ela permanece firme.

Eles continuam até ao dia de hoje, segundo as tuas ordenações; porque todos são teus servos.

É com a senha de servos que acessamos a fidelidade de Deus, o Senhor dos Senhores, dono de uma palavra que não volta atrás. Firme. Justo.

A coisa está feia.

Para muitos, horrível, insuportável. Estão deixando a vida leva-los no ritmo do samba que estourou nas paradas de sucessos mundanos depois de 2002, a engordar o saldo bancário do Zeca Pagodinho.

Pode piorar, pois que:

O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito.[iii]

Ah!, irmãos! Filhinhos!, imitando a João, o Evangelista:

– com as mãos levantadas em direção aos céus – até ao terceiro deles está ótimo!; de joelhos em terra; na cama do hospital; do local de trabalho; na sua viagem, … testa a fidelidade do Senhor para contigo e a tua parentalha. Clama a Ele, por meio do seu filho, Jesus. Não tem erro: Ele virá em teu e em vosso socorro!

Sequer Adão poderá reclamar de quebra do combinado com Deus.

Melhor é invocar e aproveitar da Sua presença, ao som fascinante do Hino 535 da Harpa Cristã:

O desafinado canta, o afinado encanta, e Deus se agrada disso:

TU ÉS FIEL, SENHOR[iv]

Tu és fiel, Senhor, meu Pai celeste

Pleno poder aos teus filhos darás

Nunca mudaste: Tu nunca faltaste

Tal como eras, tu sempre serás


Tu és fiel, Senhor! Tu és fiel, Senhor!

Dia após dia, com bênçãos sem fim

Tua mercê me sustenta e me guarda

Tu és fiel, Senhor, fiel a mim


Flores e frutos, montanhas e mares

Sol, Lua, estrelas no céu a brilhar

Tudo criaste na terra e nos ares

Todo o Universo vem, pois, te louvar!


Pleno perdão tu dás: paz, segurança

Cada momento me guias, Senhor

E, no porvir, oh!, que doce esperança

Desfrutarei do teu rico favor!


Glórias a Deus por esta bela obra musical dos históricos pastores metodistas de meados do século 19!

Paulo nos escreveu cartas da prisão. Delas jorram verdades, da Verdade que nos liberta.

Jornalista, Thomas Obediah Chisholm[v], veio à vida em uma cabana, do estado americano de Kentucky, pelas bandas de Franklin. Pobreza em demasia e carências em excesso foram a manjedoura dele.

Lugar de filho de operário e de camponês – sem a menor intenção de favorecer formas de expressão suja de impressões de ideologias políticas de carrapatos – é no batente.

Estudar, não é de hoje, é privilégio dos abastados. Chisholm foi à escola até onde deu. O ensino médio, o nosso colegial, concluir não pode, pobre e esforço moço que, de algum modo, dá de lembrar ao menos o branco do olho do nosso Ruy Barbosa. Gosto de sua carinha e pequenos olhos atentos a tudo.

O nosso jovenzinho não entregou a rapadura. Tirou desta a dureza e lhe sorveu a doçura energética da cana da gana com que estudava, em casa e onde pudesse abrir um livro, ter uma folha de papel e algo para escrever.

Incrível! Aos dezesseis anos, começou a carreira de professor quem teve que sair da escola como aluno.

Aos vinte e um anos, quando se emancipava alguém por aqui e além-mar, o autodidata se tornou redator. Estava a serviço do jornal de suas plagas, o The Franklin Favorite.

Estava de vento em popa a sua carreira.

O que lhe faltava – e certamente a você que me imagina e vê atrás dessas letras encarrilhadas em sílabas e termos – veio aos vinte anos de idade:

– ele caiu na bobagem maravilhosa de ir a uma conferência evangélica de sua região e, atraído pela glória de Deus, entregou-se a Jesus no calor da pregação do Pr. Dr. H. C. Morrison, o futuro presidente do Asbury College[vi].

Leitor, desconfia de quem estou a fofocar informativamente?

Acertou.

Em Três Agás, desta editoria abençoada da ESTAÇÃO GOSPEL de Franca, do portal NOTÍCIAS DE FRANCA – a sua Folha, a minha disposição é ir atrás de quem é o compositor das letras e pôs melodias nos hinos da centenária Harpa Cristã.

Ficou moleza chutar que o saudoso irmão em Cristo Thomas Obediah Chisholm é o dono dessa pedra preciosa de nosso importado hinário, certificando-se de que ele é o autor de sua letra, que ficou textualmente reproduzida nas linhas anteriores.

Na flor da idade adulta, aos trinta e seis anos, ordenado pastor pela amada Igreja Metodista, por suas aptidões e sólida formação acadêmica em Teologia, o seu Ministério não pode decolar. A sua saúde começou a ratear severamente. Seria o fim de sua vida eclesiástico-pastoral. 1903.

A fazenda esperava o seu menino de volta. Naquela feita, mudou-se para a parte rural de Winona Lake, Indiana, estado também do Tio Sam.

O nosso Pr. Chisholm não tinha chamado?

Tinha e teve. Seu ministério vibra em qualquer lugar em que seus hinos são entoados, com ou sem acompanhamento instrumental: Tu és fiel, Senhor, verdadeiramente!

A sua retirada do pastorado serviu-lhe de retiro. Nunca produziu tantas poesias e escritos liricamente fortes de amor e de evangelismo e hinos.

Estou devendo o crédito para William Marion Runyan, quatro aos mais novo que o nosso pastor-jornalista, o titular da parte melódica do Hino 535, e que também foi pastor metodista com todo o mérito entre os homens e no Reino de Deus.

Um prodígio de criança: aos cinco aninhos estudava música. Não deixou por menos. Pastor aos vinte e um, conciliou as suas três décadas à frente da igreja no Kansas com o seu lado de evangelista.

Uma curiosidade sobre Runyan.

Tendo perdido sua audição, quase que toda, aos cinquenta e três anos, lá foi o organista de desde doze anos para os desafios de novas ocupações de redator da revista Christian Workers Magazine e de compilador de hinários. Só podia ser isso mesmo, graças a Deus!

Dois vasos do Senhor. Dois servos de valor. Dois pastores que tiveram que se afastar de seus ministérios por motivos de doenças. Dois habilidosos redatores. Deus esticou o seu tempo nesta terra. Chisholm faleceu com 94 anos, no ano em que nasci, 1960; Runyan partiu para o descanso no paraíso três anos antes, contando 87 de idade.

Indo para os finalmente, anoto que o hino ‘Tu és fiel, Senhor’ veio a ter tradução para a nossa língua somente em 1964, pelo bondoso e oportuníssimo trabalho de Lídia Bueno, Joan Sutton e Hope Silva, irmãos batistas. Outros que se dizem os pais dessa atividade, com todas as escusas, não favorecem a verdade.

Ser compositor dá muito dinheiro:

“… Minha renda não tem sido grande em todo o tempo, devido à minha saúde debilitada que me segue desde os primeiros anos até agora. Mas não posso deixar de registrar aqui a fidelidade de Deus, que se mantém infalível e tem me dado muitas e maravilhosas manifestações do seu providencial cuidado, razão pela qual  estou cheio e estonteado de agradecimento[vii].”

Confessemos nossas infidelidades a Quem tem o poder e a disposição de nos perdoar e amar incondicionalmente.

por Théo Maia


[i] Salmos 139:4

[ii] Salmos 119:89-91

[iii] João 3:6

[iv] Great is thy faithfulness (no original, inglês, Grande é Tua Fidelidade)

[v] Foto de https://www.hymnologyarchive.com/thomas-chisholm

[vi] É ela mesma! A faculdade cristã conhecida pelo grande avivamento iniciado também por seus estudantes em fevereiro de 1970. Da mesma forma como está acontecendo agora, em 2023, o mover começou com os alunos que estavam no culto matinal e se estendeu a toda a comunidade por 185 horas ininterruptas.

Essa universidade, que está mais para um grande templo de cultura e de sabedoria, teve o seu primeiro movimento de incríveis manifestações duradoras do Espírito Santo em 1905. Kentucky sofria com uma forte nevasca e uma reunião de oração no dormitório masculino se espalhou pelo resto do campus e, depois, contagiou a cidade. Daí por diante, o avivamento prolongado virou mania.

Bendito seja o nome de Senhor Jeová!

[vii] Em: https://www.abidingchrist.org/abiding-daily/thomas-o-chisholm

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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