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Semeadora de mudanças

Por Elaíse de Mello Barbosa

Mês de março, paineiras em festa, floridas em cor-de-rosa comemorando o Dia da Mulher e, logo a seguir, o aniversário de uma mulher incrível, de uma mulher que é luz: Maria Lídia Borges Machado.

Maria Lídia nasceu em Igaçaba e quando criança veio estudar em Franca morando com seus avôs. No caminho entre a fazenda onde seus pais viviam e a cidade de Franca muitas vezes ela fez o trajeto de ônibus, cuja linha tinha um ponto de parada no “Paineirão” da rodovia Cândido Portinari. Todos os anos, entre março e abril, ela pode ver de perto o espetáculo das flores rosa dessa árvore que é patrimônio tombado de Franca – SP.

Como admiro demais essa árvore centenária, vou acreditar que foi a árvore que transmitiu a ela coragem e força, que jogou um encantamento em Maria Lídia para que se tornasse a educadora que se tornou, semeando mudanças por onde passa. Começou dando aula em escola rural e daí em diante nunca mais parou, passando por todos os cargos possíveis na carreira do magistério. Sempre deixou sua marca, até mesmo conseguiu mobilizar os pais dos alunos a levantar fundos para ampliar o número de salas de aula na Escola Adalgisa, onde era diretora.

Mas foi mesmo depois de se aposentar que ela decidiu transformar o mundo pela educação, abrindo oportunidades para estudantes da escola pública. Começou com um grupo pequeno de estudantes dedicados em sua própria casa, para estudo de matemática. Esses estudantes passaram em vestibulares de universidades públicas.

A partir daí criou sua ONG “Pedra Bruta – Lapidando Talentos” e hoje são mais de 120 alunos, entre 12 e 17 anos de idade, todos selecionados entre os bons alunos de escolas públicas. Muitos deles serão os primeiros de suas famílias a cursar uma universidade, preferencialmente uma universidade pública de excelência, que algumas vezes ainda eram desconhecidas desses alunos ao iniciarem seus estudos na ONG.

As aulas começam também no mês de março de cada ano. Aos sábados de manhã, os alunos chegam bem cedo no Uni-FACEF. Logo aprendem a andar pisando suave para não incomodar outros alunos que ali estudam, a levar suas cabeças erguidas em respeito a quem são e também para se fazer respeitar, a ter gratidão pela vida e por tudo que recebem. Aulas de português e de matemática, inglês em escola parceira. Todos se classificam no vestibulinho da Industrial, exigência para seguir estudando na Ong. Todos entram em universidades públicas ou escolhem receber bolsa pelo ENEM para estudar aqui em Franca. Alguns estão cursando faculdade em Portugal, alguns fazem intercâmbio em outros países.

O método de ensino é único, criado por Maria Lídia. Ela criou até mesmo um aplicativo educacional, o Pluga Cuca. Os aprendizes, como ela os denomina, mudam seu futuro através do estudo e de sua postura: conquistam espaços, ensinam irmãos, colegas e vizinhos transmitindo os conhecimentos que recebem, são capazes de dar aulas e de conseguir renda quando estudam em outras cidades. Mudam suas famílias, transformam sua comunidade.

Mais de 120 aprendizes caminhando com passos leves, com a cabeça erguida, levando no coração a chama compartilhada por essa mulher única e inspiradora: Maria Lídia Borges Machado. Serão jovens ou serão anjos?

Um Comentário

  1. Maria Lídia é exemplo de dedicação, carisma, respeito pelo outro, dentre outros tantos adjetivos!!!
    Mulher de fibra!! É a verdadeira educadora!
    Digna de muitos aplausos!!!!

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