
Situações de violência acontecem nas escolas, assim como no âmbito dos lares familiares.
Aquelas são a extensão dos núcleos familiares. Se são estes desajustados, a projeção das consequências recai sobre o ambiente escolar, ainda que particular, e de cada membro da comunidade que o forma. Ou deforma.
Este vídeo é assustador. A fúria da mocinha que, ao final, é atingida por objeto cortante, é louca. Ela bate, estapeia, regaça, dá com força na loirinha submetida à vazão de seu ódio.
Os colegas não fazem porra nenhuma para fazer cessar a briga, na qual quem está por baixo só leva porrada. Bando de covardes, que poderiam ter impedido o pior que você verá!
Vê e faz o seu POV.
– a estudante de 17 anos foi gravemente ferida com golpes de tesoura no rosto durante briga com colega em sala de aula na Escola Estadual José Chediak, Zona Leste da cidade de São Paulo, na noite de ontem.
A discussão começou por causa de uma cadeira e evoluiu para agressões físicas. A autora, de 18 anos, alegou ter reagido após ser atingida por uma mesa e disse sofrer ameaças anteriores.
As imagens mostram a situação de desvantagem inicial. Os rounds seguintes são horrorosos[i].
As jovens tinham histórico de conflitos. A vítima foi atendida pelo SAMU e levada a UPA da Mooca, sendo liberada na madrugada. A outra garota, que levava pau e saiu brutalmente da desvantagem, prestou depoimento e foi liberada.
É do ECA, eca!
Como restabelecer o clima de paz e de sadia convivência nas escolas? O que se tem feito, a não ser levantar bandeiras e berrar pautas para liberar o uso de drogas ilícitas – e que geram dependência – e aliviar os jovenzinhos que são presos porque roubaram um celular (de outro jovem, principalmente!) e ignorar o desrespeito e indisciplina nas salas de aula, em que professores, educadores e pessoal de apoio educacional apanham todos os dias, quando não são ameaçados?
Para quem ama discursos, mandamos isso:
Estudos apontam que estudantes dizem confiar mais em seus professores do que em seus familiares para falar sobre o que enfrentam on-line; e as escolas muitas vezes percebem primeiros sinais de sofrimento emocional ou exposição a riscos digitais antes mesmo das famílias.
As pesquisas concluíram que a escola é parte da solução, mas não pode agir sozinha. Nesse sentido, o MEC considera urgente fortalecer redes de proteção e corresponsabilidade e isso envolve escolas, famílias, psicólogos, assistentes sociais, Conselhos Tutelares, Ministério Público, Judiciário, Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Unidades Básicas de Saúde (UBS), Big Techs, e toda a sociedade.
Fora do digital, do líquido, convém estar no sólido, no concreto dos mundos:
O número de casos de violência no ambiente escolar mais do que triplicou em 10 anos, atingindo o ápice em 2023, mostra uma análise de dados nacionais da Fapesp, divulgada do dia 14 de abril passado.
Naquele ano, segundo o Ministério de Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), 13,1 mil pacientes foram atendidos em serviços públicos e privados de saúde, após se automutilarem, tentarem suicídio ou sofrerem ataques psicológicos e físicos no contexto educacional. Em 2013, houve 3,7 mil episódios.
Causas da explosão da violência nas escolas
Segundo a FAPESP[ii], os seguintes fatores explicam o pico de violência:
– desvalorização dos professores no imaginário coletivo;
– relativização de discursos de ódio, como se fossem menos prejudiciais do que realmente são;
– precarização da infraestrutura das escolas;
– agressões sofridas ou vistas pelos alunos no ambiente doméstico;
– falhas nas ações de mediação de conflito;
– despreparo das secretarias estaduais de educação para lidar com casos de misoginia e racismo.
Convidemo-nos a entender o que está acontecendo dentro das escolas frequentadas por nossas crianças e adolescentes. Ajudar na implementação de tomadas de decisões será o passo seguinte do futuro que estamos devendo, desde ontem, aos nossos meninos e meninas e à nossa linda juventude.
[i] V. @jovempannews
[ii] https://revistapesquisa.fapesp.br/violencia-escolar-aumenta-nos-ultimos-10-anos-no-brasil/







