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Para que veio?

Gosto muito de crônicas clássicas, e o autor Humberto Campos era daqueles que se sentava para escrever, e uma simples janela aberta tornava-se tema fácil. O escrito Não Faças a Outrem, traz a passagem de um homem que teve as portas fechadas por vários países, inclusive na linguagem do próprio escritor, o aforismo que “não se nega água nem a um inimigo” pouco foi levado em conta. Não se sabe, se foi um fato ou uma literatura apenas, mas diz o escrito que a antiga Checoslováquia, foi a última porta a ser batida – inclusive o sujeito era um hospede indesejado, pelo presidente da época. Sendo negado um tratamento ao homem, mesmo estando enfermo.

A personalidade era Tróstki. Ainda que tenha sido um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, responsável por ter organizado o Exército Vermelho, poderoso no passado, não tinha ao menos o olhar alheio, quando impedido de estar em sua terra natal. Neste fim, não causava medo a mais ninguém, apenas desprezo segundo autor.

No nordeste mineiro, próximo a Carbonita, havia um senhor acamado a muitos anos, ao qual precisava de cuidados vinte e quatros horas, todos os dias da semana. Há relatos de que este não era flor de se cheirar. Era destes que matava por terra e, abusava das mulheres de suas vítimas – desprezível. Sua cuidadora, é destas que na colação de grau jurou dar o máximo para evitar a morte de um paciente. E tem a ética profissional como seu pilar.

Muitas foram as tentativas de suborno a enfermeira, para fazer aquilo que merecia este miserável, mas ela não veio ao mundo para isto. Que não fosse ela a responsável pela justiça dos homens. De fato, ela não merecia carregar esta responsabilidade de matar quem matou muitos. Ela jurou lutar até o último momento para deixar vivo seus pacientes.

Por azar do mundo, este imprestável tornou o principal paciente da enfermeira. Mas, talvez não seria uma resposta, um tipo de “justiça divina” agindo para mantê-lo vivo da maneira que está, vendo que causou tanto sofrimento por onde passou? A morte para ele seria uma saída do sofrimento que merece. Sem contar que, a manutenção de sua vida custa muito caro.

O cafajeste tem filhos que nunca foram visitá-lo, sequer procuram saber como estão os cuidados de sua saúde. Já, a mulher que tem nas suas mãos o amor a profissão também é mãe. Ao contrário daquele, ama seus filhos e por causa de sua profissão pouco os vê. O mais velho deles, não visita a mais de três anos, em razão da distância. Consequentemente, não conheceu seu neto mais novo recém-nascido.

Quando questionada: Não o deixa, por quê? Não merece um minuto sequer de qualquer vida.

Ela responde: _ Jurei cuidar, e esse é meu papel. Faço o que me propus fazer na vida. Curar feridas da carne. Já meu neto, será a força de minha cura. Semana que vem o verei. Meu paciente não tem essa graça. As lições divinas tendem a fazer aquilo que nossas paixões nos fazem pensar.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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