Neurociência

Neurociência é o campo científico que estuda o sistema nervoso, compreendido por cérebro, medula espinhal e nervos periféricos. Todo esse aparato é, afinal, o objeto de pesquisa dos neurocientistas.
Ainda que se estudem localizações físicas, interessa à Neurociência a forma como o cérebro aprende, a maneira como a consciência se dá, a capacidade adaptativa, as doenças neurodegenerativas e suas implicações entre outros temas.
Amplitude
Sobre tais definições, o neurocientista Sidarta Ribeiro, escreveu:
“No encontro entre matemática, física, química, biologia, psicologias, filosofia e artes, as neurociências fascinam o público pela possibilidade de compreensão dos mecanismos das emoções, pensamentos e ações, doenças e loucuras, aprendizado e esquecimento, sonhos e imaginação, fenômenos que nos definem e constituem.”

Neuropsicologia
A Neuropsicologia é um ramo da Neurociência que estuda a base cerebral e impactos de lesões e traumas para as respostas e distúrbios de ordem cognitiva, emocional, comportamental e de personalidade. Avaliam-se de que forma interferências no cérebro podem afetar a percepção, ações, pensamentos, inteligência, movimento e tomada de atitudes e, a partir disso, quais as melhores estratégias/interferências cruzadas para a promoção da saúde.
Neuroplasticidade
Por muitos anos, acreditava-se que, após alcançar sua maturidade, o sistema nervoso central se tornava uma estrutura rígida não-passível de regeneração.
Com a descoberta da neuroplasticidade, compreendeu-se que até um cérebro adulto pode ter células reconstituídas. Assim, neuroplasticidade pode ser entendida como a capacidade que o cérebro tem de se reconfigurar.

O cérebro que aprende
O que a neurociência sabe até agora é que a plasticidade neural permite que novas sinapses sejam realizadas, modificando essa rede de comunicação. Trocando em miúdos: o cérebro que aprende modifica padrões e até mesmo estruturas e por meio dessas alterações é possível superar um trauma vivido há anos, com o acompanhamento da psicoterapia, por exemplo.
Recurso adaptativo
A importância da neuroplasticidade se dá ao estimular a adaptação do cérebro às mais variadas situações. Isso faz também com que alguém não perca totalmente a sua capacidade de realizar determinadas tarefas, mesmo que algumas áreas de seu sistema nervoso estejam lesionadas – o mecanismo da neuroplasticidade é vicário, uma área saudável compensando áreas comprometidas e possibilitando mudança de comportamentos, hábitos, funcionamento etc.

Neuroplasticidade e psicoterapia
A principal relação entre a neuroplasticidade e a psicoterapia: por meio do acompanhamento psicológico, é possível desenvolver padrões que levem à plasticidade neural e ajudem no tratamento de diversas dificuldades.
Questões psicológicas crônicas também comprometem funções e podem ser tratadas por psicoterapias neuroplásticas.
Terapias neuroplásticas
A grande boa nova é que a psicanálise, ao lado das várias terapêuticas que promovem reestruturação cognitiva, é considerada neuroplástica.
Há um belo artigo falando sobre a intersecção neurociência & psicanálise no livro ‘O cérebro que se transforma”, de Norman Doidge. O capítulo intitula-se “Transformando nossos fantasmas em ancestrais: a Psicanálise como terapia neuroplástica” e foi fonte dessas considerações, bem como o blog Cognitivo.
Na prática, isso ocorre como se estivéssemos ensinando o nosso ‘cérebro’ o que precisamos.
A neuroplasticidade é a capacidade que o aparelho físico e, por extensão, o psíquico têm de aprender e se reprogramar.






