Metáfora

É madrugada
Fecho meus olhos úmidos
Abafo os soluços que insistem em denunciar meu choro
Respiro… estou cansada
Meu inconsciente mergulha no nada
Um nada escuro e vazio
Ao longe, vejo as chamas crepitarem
Passos lentos… me aproximo
Atravesso o corredor frio
Eles me aguardam, eu sei!
Os dragões que já estiveram sob minhas mãos
Estão bem ali, olhos vivos,
Cores, movimento, calor…
Não tenho medo, preciso tocá-los
Preciso senti-los de novo… só mais uma vez…
Uma voz me adverte
“- Não vá! Será o fim!”
Mas talvez, seja isso o que desejo
O fim! Acabar de vez com esse sofrimento
Eles estão imóveis, me observam
E eu… não consigo parar… não quero voltar
O frio substituído por um calor intenso
Que me invade e me faz sorrir
Estão tão próximos, alguns passos mais…
Estendo minhas mãos
Tanta saudade…
Todos os dias à espera desse momento
Vagarosamente aproximo meus dedos vacilantes
Miro um par de olhos faiscantes
E depois, outro mais…
Meu coração dispara
Eu o alcanço então… o primeiro…
Agitação, gritos, fogo
As chamas me devoram impiedosas
Eles detêm o poder e eu… carrego o amor como única força
Mas… não é suficiente
Me deixo sucumbir…
Enfim, meu fim…









