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Mês da Mulher: Portal Notícias de Franca dá início à série ‘Vozes femininas de Franca’

Em celebração ao Mês da Mulher, o portal Notícias de Franca tem o prazer de apresentar uma série especial de textos escritos por talentosas autoras de nossa cidade. Ao longo do mês de março, mergulharemos nas histórias, reflexões e visões dessas incríveis escritoras, destacando suas experiências e perspectivas únicas sobre elas próprias, sobre outras mulheres e sobre o universo feminino como um todo.

Nesta série, buscamos não apenas homenagear as mulheres de Franca, mas também promover um espaço de expressão e valorização de suas vozes. Cada texto é um convite para refletirmos sobre a força, a resiliência e a diversidade das mulheres em nossa sociedade.

Convidamos nossos leitores a acompanharem essa jornada literária, celebrando as conquistas e desafios que moldam as vidas dessas mulheres extraordinárias.

Preparem-se para se inspirar, emocionar e conectar com histórias que transcendem gerações e nos lembram da importância de honrar e valorizar todas as mulheres, todos os dias.

A série começa com o texto de Daniela Almeida Borges

Construção

A mulher que hoje sou, demorou bastante para ser construída.
Trabalho delicado, como artesã com seu buril.
Se antes “peixe fora d’água”, em constante contracorrente, foi aos poucos que fui me conhecendo.
Antes do encontro com os outros, precisei pavimentar o caminho para encontrar comigo mesma.
Na poesia, nos saraus. Nos livros, nos filmes, nas histórias. Na Estrela de Jali.
Nas religiosidades, nos encontros e desencontros. Nas exposições, nas viagens, no trabalho voluntário.
Nas reuniões frequentes com os poucos, mas fiéis amigos.
Nem sempre fui calmaria. Terapia. Olhar com carinho para os caminhos ancestrais que me trouxeram até aqui. Livrar-me de malas que não eram as minhas. O alívio de pertencer a si.
Aos poucos, a vida foi me apresentando outras sonhadoras.
Sou daquelas que sente. E sente muito. E percebi que inundar-se, não é de todo ruim. O que seria do futuro, se mais pessoas não acreditassem nele?
Aos poucos, fui me tornando jardineira. Florindo meu próprio caminho. Contemplando as infinitas bênçãos, pelas quais costumo agradecer em minhas preces.
Algumas mulheres temem envelhecer. Eu, ao contrário, cada vez gosto mais.
A maturidade traz paz. Traz segurança. Para os afetos. Para as vontades. Fica o que precisa ficar. Fica quem precisa ficar. O resto se esvai, como folhas ao vento.
A maternidade, capítulo até então inédito dessa jornada, atualmente me convida a mergulhos ainda mais profundos em minha alma. Alegrias, medo. Dedicação, solidão. Suas paradoxais contradições são desafios diuturnos. Mas reafirmam a minha convicção de que um mundo melhor é possível. De que pessoas melhores são necessárias.
Sigo firme construindo meu destino. Inspirando-me em muitas mulheres que hoje me cercam. Que dividem projetos e ideais.
Em um constante ressignificar-se, descobrir-se, admirar-se. Vivendo e sendo tão feliz quanto possível, na dor e na delícia, de ser mulher.

Um Comentário

  1. Dani, que delícia ler seus textos!
    Quem te conhece sabe a mulher maravilhosa que você se tornou. Aquela que sempre tem uma palavra que acalma o coração!
    Somos seres em construção, você é uma das minhas inspirações, sou grata a Deus por ter te colocado em meu caminho!

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