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Meias inspirações

Começo um poema sobre saudade, aquela música me trouxe uma vontade escrever sobre isso. Metade da folha preenchida, a outra metade vazia. Às vezes até a saudade nos escapa pelos dedos.

Uma situação me chama a atenção e começo a escrever sobre ela. A rotina atual dos muitos olhos vidrados nas telas e alheios para a “vida real”. Digito rápido no celular para não perder as palavras. Pauso, uma reflexão pela metade, depois volto pra concluir.

Retomo aquele texto que comecei a escrever para presentear alguns amigos, refaço algumas rimas, acrescento outras, ainda falta…

Abro o grupo de WhatsApp que criei para escrever os textos de urgência, aqueles de quando a inspiração vem rápido e não há tempo para buscar outros meios para a escrita. Tantos “meios textos” aguardam sua vez de serem concluídos.

Penso sobre tantas incompletudes e decido escrever sobre isso. Afinal, somos todos assim, num eterno processo de construção, sempre com algo a melhorar, algo a acrescentar, em busca de uma obra acabada, plena, completa. Essa é a nossa jornada, com vários enredos, alguns ainda caminhando para a conclusão. É preciso saber esperar e entender que nem toda metade nasceu para ser inteira. Assim como algumas inspirações, são metades plenas do jeito que são.

Jaqueline Vieira

É francana, tem 42 anos e é formada em Letras, Pedagogia, especialista em Linguística e Gestão Pública. Educadora entusiasta, escorpiana intensa, apaixonada por vinhos, gastronomia e pela arte, amante das palavras escritas, suas eternas e fieis companheiras desde a infância. Instagram: @jaquevieirad

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