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Medicina e propósito: Fabiana Prado e a missão de formar médicos mais humanos na Uniube

Aos 54 anos, a médica Fabiana Prado fala sobre Medicina com o mesmo brilho de quem acaba de descobrir a profissão. Talvez porque, no fundo, para ela, ser médica nunca tenha sido apenas uma carreira. É identidade. Missão. Pertencimento.

Coordenadora do curso de Medicina da Uniube, ela carrega mais de duas décadas e meia de vínculo com a instituição — uma relação construída entre salas de aula, ambulatórios, projetos pedagógicos, gestão acadêmica e, sobretudo, pessoas. Muitas pessoas.

Ao longo da conversa, impressiona a energia com que fala dos alunos, dos professores, da formação médica e da responsabilidade de preparar profissionais que, em poucos anos, estarão diante da dor, da fragilidade e das decisões mais delicadas da vida humana. Há firmeza no discurso, mas também emoção. Fabiana não esconde o orgulho que sente da universidade, da profissão e do papel que desempenha na formação de gerações de médicos.

“Sou muito exigente comigo e com meu time”, resume, com a tranquilidade de quem conhece profundamente aquilo que defende.

Em um momento em que cursos de Medicina se multiplicam pelo país, Fabiana fala da Uniube com a segurança de quem acredita na solidez construída ao longo do tempo. “Aqui não é um curso de modinha”, afirma. “Existe base. Existe compromisso sério com formação prática, ética e humana.”

Além da tradição consolidada em Uberaba, a Medicina da Uniube também amplia a presença em Ituiutaba. Neste mês, a Instituição publicou a incorporação da FacMais de Ituiutaba, fortalecendo a proposta de interiorização do ensino superior de qualidade em Minas Gerais.

O primeiro processo seletivo que já contempla o novo campus é o Vestibular Unificado de Medicina da Universidade. A iniciativa leva a metodologia, os princípios acadêmicos e a formação humanizada da Uniube para uma nova região estratégica, conectando tecnologia, prática clínica e desenvolvimento regional.

Com inscrições abertas até o dia 26 de maio para o vestibular de Medicina, a universidade aposta justamente nessa combinação entre tradição, inovação tecnológica e vivência prática intensa como diferencial na formação de novos médicos.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O vestibular de Medicina da Uniube está com inscrições abertas até quando?

As inscrições seguem abertas até às 20h do dia 26 de maio para o processo seletivo unificado de Medicina, com vagas para ingresso no segundo semestre de 2026 e no primeiro semestre de 2027, tanto para o Campus da Uniube em Uberaba quanto para a unidade da FacMais, em Ituiutaba. 

Onde serão realizadas as provas?

As provas acontecem no dia 30 de maio, nas cidades de Araxá, Ituiutaba, Itumbiara, Uberaba ou Uberlândia. Por meio de uma única prova, os candidatos poderão concorrer às vagas oferecidas pela Uniube e pela FacMais Uniube, ampliando as possibilidades de ingresso.

Muitos cursos falam sobre estrutura e tecnologia. Na prática, o que faz o aluno da Uniube perceber que está em uma instituição realmente sólida?

A motivação e a qualificação do corpo docente fazem muita diferença. Temos professores extremamente estruturados, desde as áreas básicas até as clínicas especializadas. O aluno percebe essa robustez no dia a dia.

Hoje contamos com mais de 100 profissionais diretamente envolvidos no curso, além de um hospital próprio, dois hospitais e duas UPAs sob gestão da universidade. Contando toda a equipe médica de atendimento, incluindo  plantonistas que também são preceptores, temos mais de 200 médicos envolvidos na formação dos alunos em diferentes cenários de prática.

A senhora costuma dizer que a Uniube forma “os médicos que a sociedade precisa”. Que médico é esse hoje em dia?

Primeiro, um médico tecnicamente qualificado. Isso é inegociável. Trabalhamos com diretrizes atualizadas, alinhadas ao SUS, mas também às demandas da saúde suplementar e às transformações do mercado.

Não adianta ser apenas um médico “bonzinho”. Ele precisa ser competente, vocacionado e comprometido com a profissão.

Mas existe outro ponto igualmente importante: ele precisa ser humano. Precisa enxergar o paciente além da doença, entender medos, expectativas e fragilidades.

Como equilibrar inovação tecnológica e inteligência artificial sem perder a essência humana da Medicina?

A inovação é um caminho sem volta. Inteligência artificial, plataformas digitais, simulações e novos recursos precisam fazer parte da formação.

Mas não podemos perder a capacidade de olhar nos olhos, ouvir, tocar e compreender o outro como pessoa. O paciente hoje chega ao consultório com informações, diagnósticos e expectativas construídas na internet. O médico precisa ter embasamento científico para conduzir isso com responsabilidade.

A tecnologia deve nos ajudar a sermos mais humanos, não menos.

Como a vivência em cenários reais, que fazem parte do currículo obrigatório da Uniube, contribui para a formação dos alunos?

O aluno não é simplesmente lançado na prática do nada. Existe toda uma estrutura pedagógica anterior. Trabalhamos com ambulatórios virtuais, simulações realísticas e equipamentos de alta tecnologia para que ele chegue mais preparado aos cenários reais.

Temos uma rede muito ampla de atuação em Uberaba. Costumo dizer que existe um verdadeiro cinturão de atendimento conectado à Uniube. O aluno passa por hospitais, ambulatórios, UBSs, UPAs e diferentes serviços de saúde em diferentes áreas da cidade.

Quando chega ao mercado de trabalho, ele já conhece os ambientes, as equipes e a dinâmica da profissão. Isso reduz insegurança e amplia muito a maturidade emocional.

O que mais chama atenção na transformação dos alunos ao longo da graduação?

É justamente o sentimento de “estar se tornando médico”. No começo da graduação existe muita ansiedade, muita expectativa e até uma visão mais idealizada da profissão. Mas, conforme os alunos avançam nos cenários reais de atendimento, passam a compreender a dimensão humana e a responsabilidade que a Medicina carrega.

Mais perto da formatura, surge um sentimento muito forte de comprometimento com a vida das pessoas. E isso, muitas vezes, se confunde até com medo. Não um medo paralisante, mas um respeito profundo pela profissão e pelo impacto que ela tem na vida do outro.

Eles começam a entender que ninguém sai da graduação “pronto”. Medicina é uma profissão em constante transformação. Eu mesma sou formada há 26 anos e muito do que aprendi mudou ao longo do tempo. O médico precisa desenvolver a capacidade de continuar aprendendo sempre, buscar conhecimento de acordo com as necessidades e entender que a atualização faz parte da essência da profissão.

E quando percebemos esse senso de responsabilidade amadurecendo, entendemos que aquele aluno realmente começou a se transformar em médico.

O curso já tem mais de 25 anos. O que a Uniube construiu ao longo desse tempo que não se improvisa rapidamente?

Base sólida. E isso não se constrói da noite para o dia.

Aqui não é um curso de modinha, criado por tendência ou oportunidade de mercado. Existe um compromisso histórico muito sério com formação prática, ética, preparo técnico e inserção real no mercado de trabalho.

Ao longo desses mais de 25 anos, a Uniube consolidou uma estrutura extremamente robusta de ensino, assistência e prática médica. O aluno não fica restrito à teoria ou a experiências limitadas. Ele circula por diferentes cenários, conhece a realidade hospitalar, o SUS, a urgência, a atenção básica, os ambulatórios e aprende a lidar com diferentes perfis de pacientes e contextos sociais.

Ao mesmo tempo, temos liberdade institucional para inovar. Conseguimos incorporar rapidamente novas tecnologias, ferramentas pedagógicas, simulações e recursos de inteligência artificial sem abandonar aquilo que é essencial: a formação humana, ética e responsável do médico.

A inovação é importante. Mas ela precisa caminhar junto com valores sólidos. E talvez esse seja um dos maiores diferenciais construídos pela Uniube ao longo do tempo.

E essa inovação também será levada ao novo campus em Ituiutaba, que agora passa a contar com nosso apoio de Uberaba para oferecer aos alunos a estrutura de uma Universidade de Verdade, cada vez mais próxima de casa. 

Qual é o maior erro de percepção que muitos estudantes têm sobre Medicina?

Achar que Medicina é garantia automática de status ou riqueza.

Existe ainda uma construção cultural muito forte em torno da profissão, e muitos jovens chegam à Universidade com essa visão romantizada. Mas a realidade é que Medicina exige uma entrega extremamente intensa.

O trabalho é árduo. A responsabilidade emocional é enorme. Muitas vezes o médico abre mão de momentos pessoais, convivência familiar, eventos importantes e qualidade de vida para cumprir aquilo que a profissão exige.

É uma carreira linda, mas também muito pesada. Por isso eu sempre digo que o que sustenta um médico ao longo da trajetória é vocação. Sem vocação, fica muito difícil suportar o peso das decisões, das renúncias e do compromisso permanente que a profissão exige.

A Medicina não pode ser movida apenas por status. Ela precisa ser sustentada por propósito.

O que mais orgulha a senhora ao encontrar ex-alunos da Uniube atuando no mercado?

Hoje, além da coordenação acadêmica, atuo também como conselheira do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais. Então tenho a oportunidade de acompanhar muitos profissionais já inseridos no mercado e observar como eles exercem a Medicina no dia a dia.

E o que mais me orgulha é perceber que nossos ex-alunos chegam ao mercado com segurança técnica, jurídica, responsabilidade ética e sensibilidade humana.

Nós trabalhamos muito para formar médicos competentes, mas também conscientes do impacto que suas decisões têm sobre a vida das pessoas. Quando encontro profissionais que exercem a Medicina com humanidade, ética, responsabilidade e respeito pelo paciente, sinto uma enorme sensação de dever cumprido.

Porque, no fim, o legado de uma escola médica aparece justamente na forma como seus alunos cuidam das pessoas.

Se pudesse resumir a experiência do aluno de Medicina da Uniube em um conceito, qual seria?

Pertencimento.

Existe uma conexão muito forte dos alunos com a instituição. O Diretório Acadêmico é muito participativo e a atlética é extremamente organizada; nossa   agita tudo por onde passa e é muito reconhecida, inclusive em eventos universitários. Isso cria conexão, fortalece relações e faz o aluno sentir que realmente faz parte da instituição.

Além disso, temos uma convivência próxima, integração intensa e uma relação muito humana entre alunos, professores e coordenação.

Isso tudo ajuda o aluno a perceber os valores da instituição, se identificar com a formação que recebeu e leva isso para a vida profissional. Gosto muito de ver o aluno bater no peito e dizer com orgulho: “Sou médico Uniube”.

Joelma Ospedal

Joelma Ospedal é jornalista, escritora e apaixonada por comunicação

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