Manso e Suave

A melodia deste hino é linda e envolvente demais para não mexer com os seus sentimentos.
Um criminoso, de alta periculosidade, escondido em uma mata, que ficava nas costas de uma igrejinha dos confins de Minas Gerais, desmanchou-se todo ao ouvir o chamado à sua salvação pela letra do HINO 568 da nossa HARPA CRISTÃ.
Fugindo das garras da lei, procurado e caçado (com ‘cê’ cedilhado, com direito à polícia armada até os dentes para o prender!), o bandido caiu nos braços daquele que é caminho, verdade e vida, e vida com abundância!
É lenda!
A sua vida é lenda?
O quê o Senhor tem feito por você é história da carochinha?
O fato é que o homem fora da lei foi salvo em flagrante, na forma da derramada misericórdia do Senhor sobre aquela existência de pecados, maldades e de inacreditáveis crueldades.
No termo de salvação em flagrante contrito, lavrado nos anos 1930, assina, de passagem, a testemunha e pregador Pastor Antônio Elias, presbiteriano.
O Espírito Santo apoderou-se do procurado pela Justiça.
O primeiro verso do agora historiado louvor lhe chegava ao endurecido coração e aos surdos ouvidos como um chamado pessoal, assim:
“Amâncio José Alves, Jesus tá chamando!…”
Manso e suave Jesus se revelava ao temido Amâncio e, convertido, amansado, transformado pela justificação de sua entrega ao Salvador, foi ter com a Lei. Apresentou-se na cadeia e delegacia daqueles longínquos tempos, a Casa de Detenção da capital paulista.
Ainda sob os efeitos da ação do Espírito Santo, haveria de ganhar um favor inesperado e do qual jamais poderia ser digno. A autoridade policial, consultando os seus antecedentes e ficha criminal, nada localizou. Não havia mais nada ali. Cristo o fizera ficha limpa! Aleluia!
A sua estrada de Damasco pode percorrer as linhas deitadas da pauta de uma obra dessas, do compositor nascido em 7 de novembro do ano de 1847. O filho de East Liverpool, da região centro-oeste dos Estados Unidos, estado de Ohio, é WILLIAM LAMARTINE THOMPSON, também gerado, criado e educado em berço presbiteriano e do qual se intui, inapelavelmente, veio ao mundo para compor belas e internacionalmente entoadas peças musicais evangélicas.
A sua vocação o levou a apresentar-se fora da igreja, por canções populares. Durou pouco. Sua veia artística foi feita para irrigar hinários e operar prodígios em suas letras e notas.

Intimamente chamado por Will ou Willie[i], teve o seu dom duplamente coroado de sucesso: exímio musicista e inspirado compositor, este como autor de escritos musicados lidos, copiados, traduzidos e entoados em todo o lugar em que o nome de Jesus tenha sido e é invocado.
Esse norte-americano deu técnicas e formação de escol ao que lhe movia na Nova Inglaterra e na Alemanha. Aos vinte e oito anos, de volta para a terra do Tio Sam, lidou com uma frustração de doer: queria vender algumas de suas composições, por um valor baixo. Precisava sobreviver. Ofertaram-lhe a rejeição em moedas: 25 (vinte e cinco) dólares!
A lógica humana estava sendo posta à prova.
Mansos e suaves se apresentavam os planos de Deus, chamando o dono da letra e da canção do 568 para a realidade!
Quem descansou os seus desejos e necessidades no Senhor Deus não perdeu por ousar abrir o seu próprio negócio editorial. Ele mesmo, na sua empresa individual, um ilustre desconhecido, teve que se conter no inesperado sucesso de suas publicações, que levaram esse o hino em pauta aos primeiros lugares de execução daqueles tempos!
Editora, loja de instrumentos musicais e de ensino da música, e tudo o que seria do interesse dos aficionados da música, sacra preferentemente, Will tinha; e vendia. Ficou rico. Manteve-se simples, honesto, sincero, justo e humilde! Fez-se pobre de espírito!
Um exemplo de que não era um Cristão de Papel, como nos exorta a não ser o Presb. Daniel Vitor, da AD de Franca, em seu novo livro[ii]:
“Thompson sentia que devia algo a Deus e por isso dedicou o seu talento de compositor unicamente a composição de músicas sacras. Muitas vezes colocou o seu piano numa carroça puxada por dois cavalos e foi para a roça, tocando e cantando hinos de sua autoria[iii].”

Suas produções completas – que privilégio poder compor e por melodia! – ganharam o mundo e o Evangelho tem ganhado almas para Cristo desde lá!
Não seguro mais!
A composição de MANSO E SUAVE nunca foi de domínio de quem assina FCBS ou de outro. Francisco Caetano Borges da Silva, do ano de 1863, é quem teve a feliz tirada de publicar, em português, essa joia da hinografia cristã:
Manso e suave, é Cristo chamando
Chama por ti e por mim
Eis que Ele às portas espera velando
Vela por ti e por mim
Vem já! Vem já! Alma cansada, vem já!
Manso e suave, Jesus convidando
Chama: Vem, pecador, vem!
Com paciência, Ele está esperando
Hoje, por ti e por mim
Oh! Não desprezes a quem, convidando
Chama por ti e por mim
Correm os dias, as horas se passam
Passam por ti e por mim
Transes de morte, por fim, vão chegando
Tanto por ti e por mim
Oh! Quanto amor que Jesus nos tem dado!
Tudo por ti e por mim!
Seu sangue foi sobre a Cruz derramado
Sim, foi por ti e por mim
Está na ânsia de ouvir, eu sei. Vamos, então, à audição, via acervo da CPAD:
Um toque em nosso ombro sentimos, para descolar esse mesmo louvor em seu estilo mais clássico, em enlevo d’alma, no sax de Ângelo Torres:
É hora de parar por aqui, meditando no que Mateus nos legou no capítulo 11, versículo 29, de seu doutrinário evangelho:
Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
A paz do Senhor!
Théo Maia
[i] Imagens creditadas a https://pt.findagrave.com/memorial/58372373/william-l-thompson#view-photo=33845249
[ii] Edição independente, 2024, Cristão de Papel – Conceituação teórica r implicações práticas do papel do cristão em meio à sociedade, Câmara Brasileiro do Livro, SP, Brasil
[iii] https://musicaeadoracao.com.br/







