Colunas
Grito do passado
Em qualquer lugar,
Nos momentos mais imprevisíveis,
Escuto ele dizer:
_ Vem cá! Vende aquele boi bom de corte.
Confuso, o vejo esticar o braço,
Tentando alcançar algo abstrato e
Olhando sobre meu ombro,
Encarando algum fantasma na quina da parede.
Instintivamente olho ao redor e, assustado,
Ouço o eco de gritos guturais do passado,
Que insistem em repercutir na minha cabeça,
Agora, no presente,
E, quiçá, para sempre,
Até a última badalada do relógio.








