Grandioso és Tu!

De volta ao passado, pelos túneis de paz da hinologia internacional, enquanto o território de Gaza implode em suas maldades e artefatos de engenharia civil e bélica no subterrâneo. O radicalismo religioso é provocado ao ataque por extremistas do terrorismo, fazendo de bucha de canhão, na expressão chula antiga e que, no idioma do ódio e de odientos, civis inocentes que são alvo de drones e de mísseis altamente devastadores.
Com o título que forma a comissão de frente do presente artigo, pedimos ao Senhor Deus um cenário deslumbrante. Ele nos deu um berçário de maravilhas. Todas, empresas de suas poderosas mãos!
Pródigo em árvores e florestas, campinas sonhadas pelo Salmista, é tempo de viajar pelo norte da Europa, para a península Escandinava. Seu território, banhado pelo Mar Báltico e pelo Golfo de Bótnia, limita-se a oeste com a Noruega e a nordeste com a Finlândia.
A exuberância da Mãe-Terra se exibe em suas cadeias de montanhas, recifes e fiordes, que são golfos cercados de montanhas.
É na Suécia que faremos pousada porque, é neste país, que ocupa o topo do ranking de melhores países do mundo em qualidade de vida, que veio ao mundo o pregador batista Carl Gustaf Boberg em 16 de agosto de 1859, em Mönsteras, na costa sudoeste destas bandas europeias.

Capricho da natureza e abundância da bondade de Deus, o fato é que o nosso personagem central, que foi o autor de ‘O Store Gud’, traduzido como ‘Ó Grande Deus’, filho de carpinteiro e, à semelhança do ofício de José, o pai carnal de Salvador Jesus, Boberg nos acha de nascer onde? Em frente ao estuário da baía de Mönsteras, está na cara!
Em Três Agás importa enveredar na investigação e pesquisa do que tem por trás de um hino da Harpa Cristã, mesmo existentes outros hinários, adotados por várias igrejas e denominações.
O louvor, citado a dois parágrafos, foi concebido a partir de sua letra, como acontece na maioria das criações musicais. A musicalidade vir antes é raro.
A melodia se fez com a adaptação de canção popular do folclore de sua nação e estava a meio caminho lindamente percorrido entre pautas, notas e claves.
Carl Gustaf, que se convertera bem jovem, recebendo a Cristo como o seu Senhor e único Deus, com dezenove anos, o qual, consciente de seus pecados e da imundície e lixo espiritual que significam, relutou na aceitação da transformadora e preciosa graça celestial. Se bem que, não conseguiu resistir às chamas que ardiam em seu coração. A Palavra de Deus o havia pegado de jeito e com força tal que, naquela manhã de domingo, de 1878, sequer as tentativas de seus amigos, de o tirarem de ideia, para o jogo e a sair com algumas garotas, o desviaram da reunião para ouvir um servo cristão, pregador que lhe impressionara certa vez, perto de sua casa.
A resistência ao apelo pela decisão por Cristo naquele culto tinha explicação. O seu caminho de volta para o lar é que mudaria a sua rota. Pelo poder da palavra pregada, ficou ele profundamente tocado e impactado. Caindo de joelhos em um campo limpo, como que preparado por altar, banhado de lágrimas e, ali, a sós com Deus, em oração, confessou os seus pecados.
A sua história estava escrita, tão belamente quanto o hino objeto deste curto ensaio, e que, mais dias, menos dias, o faria reconhecedor do derramar do favor perdoador do Senhor Jesus. Em constante oração, aquele sermão, que seus colegas não quiseram ouvir, dando lugar pelo à sua carnalidade, mexia com Boberg. Abalada estava toda a sua estrutura orgânica e espiritual. Ele o sabia – e tinha de relembrar -, pelo fato de que um anjo, na pessoa de uma criança, vivia a lhe providencialmente azucrinar, no esforço para decorar o versículo 13, do capítulo 14, do evangelho de João:
“E tudo quanto pedirdes em meu nome, Eu o farei.”
No beco havia saída, glórias a Deus!
Inundado da misericórdia divina e convicto de que Jesus o ouvira, e o aceitara, agora como filho, a dedicação exclusiva ao anúncio do Evangelho estava definida e selada, qual justificadas estavam as suas transgressões na declaração de justo, que Cristo lhe deu, por meio do Espírito Santo, não mais merecedor de castigos.
O ministério de Carl ia sendo tecido por sermões, magistério, aconselhamentos e pelas formas possíveis que as oportunidades se lhe apresentavam para a propagação do Evangelho. Um ministro da Palavra, de palavra, de oração e de verificável unção.
Os seus dons, que o capacitavam para escrever e falar do amor de Deus para com todos os nascidos de mulher, esperavam por uma forcinha dele para musicalizar cada obra de seu espírito.
Compor o hino ‘Grandioso és Tu’ foi canja!
Recorramos às suas justificativas, nestas mesmas expressões verbais:
“Foi naquela época do ano em que tudo parece estar em sua mais rica coloração. Os pássaros cantavam nas árvores e em toda parte. Era um dia quente. Uma tempestade apareceu no horizonte e logo trovões e relâmpagos. Tivemos que correr para o abrigo. Mas, a tempestade foi mais cedo e apareceu o céu claro. Quando eu cheguei à minha casa, abri a janela para o mar. Havia um funeral e os sinos tocavam, e logo ouviu-se a melodia do hino que diz ‘Quando o relógio da eternidade chamar minha alma salva ao seu descanso sabático’. Naquela noite, escrevi a canção…”
Estudioso contumaz da Bíblia Sagrada, Boberg deixou escapar, a um seu sobrinho-neto, o fio da meada de sua santa e incontrolável inspiração para um texto maravilhosamente cheio de poesia e de devoção: Salmos 8:
¹ Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus!
² Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.
³ Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste;
⁴ Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?
⁵ Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.
⁶ Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés:
⁷ Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo,
⁸ As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares.
⁹ Ó Senhor, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!
Pois, com vinte e seis de idade, tangido pela irresistível presença do Espírito Santo, Carl Boberg não tinha a menor noção de que estava entrando para a memória cristã mundial ao perfazer a composição do que viria a ser o ‘Quão grande és Tu’ no nosso idioma português.
Essa obra-prima em corpo de hino, em 1974[i], foi considerada como o mais amado do povo norte-americano. Em pesquisa mais ampla, de 2001, de abrangência universal, foi eleita o segundo hino evangélico mais apreciado, ficando atrás apenas de Amazing Grace[ii], que lhe é anterior, dos anos 1779.
O público a ouviu e cantou, emocionada e repetidamente, pela primeira vez, em 1888, em uma igreja de Värmland, um dos condados do sudeste da região histórica Svealand, da Suécia do Pregador Boberg.
Pelo visto e documentado, a letra desse hino saiu aos poucos, até atingir, pela pena do autor em destaque, a nove estrofes.
Pularemos, de propósito, as andanças desse louvor ao Senhor, que derrubou blocos de gelo da Rússia e fez derreter a perseguição implacável de seus czares e de toda a casta de seus incrédulos políticos. Atravessou fronteiras nas pegadas de seus versos, fisgando a alma do bem-sucedido e nobre senhor Manfred von Glehn, estoniano. A conquista dos germânicos vem para a primeira década dos anos 1900.
É hora de botar este hino para rodar. O clique é com você!
Neste vídeo, um arranjo superbacana, e menor:
Um registro sobre a parte melódica deste clássico da Harpa Cristã há de ser feito. Toda a sua roupagem para a melhor instrumentação para piano e violão teve o empréstimo do talento do professor de música e organista Erik Adolph Edgren. Não mais que tanto, em vista do sobredito e acerto feliz do aproveitamento da melodia de que Carl Gustaf se valeu do cancioneiro sueco.
Traduções e versões de ‘O Store Gud’ são mais de duas, três, certamente. Partindo de um trabalho desse porte lírico e musical, quantos não se atreveram a tirar uma casquinha somente por vaidade e egoísmo!
Por assim ser, não é intuito aborrecer os que esperavam um louvor quilométrico como o original, de emenda em emenda, recurso antecessor do copiar/colar das tecnologias da informação.
Em terras de Cabral, a peça traduzida por João Gomes da Rocha, há cento e treze anos (1910, por aí!), foi publicada em ‘Louvores’, uma coletânea de hinos do Centro Brasileiro de Publicidade Ltda. A versão abrasileirada veio do que se cantava na pátria de Martinho Lutero e que, pelo exagero, atingia dez estrofes.
Vingou? Nem tanto.
O pastor da Igreja Batista Paulo de Tarso Prado da Cunha, ao lado de Nathanael Emmerich e de Manoel da Silveira Porto Filho, emplacaram a letra dos moldes populares do Missionário Stuart Keene Hine.[iii]

A letra?
Segue aqui, na versão dominante em nossos cultos, com alguma diferença de tradução, mais para distinguir o hinário de uma denominação de outra. Nenhuma tem a pretensão de diminuir e de desgastar a Grandeza do Senhor Deus!
Grandioso És Tu
Senhor, meu Deus, quando eu, maravilhado
Contemplo a Tua imensa criação
A terra e o mar e o céu todo estrelado
Me vêm falar da Tua perfeição
Então minh’alma canta a Ti, Senhor
“Grandioso és Tu! Grandioso és Tu!”
Então minh’alma canta a Ti, Senhor
“Grandioso és Tu! Grandioso és Tu!”
Quando as estrelas, tão de mim distantes
Vejo a brilhar com vívido esplendor
Relembro, oh! Deus, as glórias cintilantes
Que meu Jesus deixou, por meu amor!
Olho as florestas murmurando ao vento
E, ao ver que Tu plantaste cada pé
Recordo a cruz, o lenho tão cruento
E no Teu Filho afirmo a minha fé
E quando penso que Tu não poupaste
Teu filho amado por amor de mim
Meu coração, que nele Tu ganhaste
Transborda, oh! Pai, de amor que não tem fim!
E quando Cristo, o amado meu voltando
Vier dos céus o povo seu buscar
No lar eterno, quero jubilando
A Tua santa face contemplar
É somente a fase inicial desta série de artigos que a ESTAÇÃO GOSPEL de Franca, do portal NOTÍCIAS DE FRANCA – a sua Folha-, o que você está lendo e, gostando, compartilhando com quem precisa de um concerto com Jesus.
A paz do Senhor!
[i] Revista Christian Herald
[ii] Na Today’s Christian
[iii] 1899, Grã-Bretanha







