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Franca em xícaras de café

Como de costume, sempre que posso, vou ao tradicional café da praça barão. Há praticamente quinze anos me sento na última mesa do lado esquerdo, como se fosse um pedaço da minha própria história; nem preciso fazer o pedido – vem primeiro a água com gás da Prata de garrafa de vidro, depois o capuccino pequeno, por fim o pão na chapa. Na mesa que fica próximo ao caixa, sempre estão os francanos que são da época das noites em que a praça era viva.

Ouço histórias variadas, entre memórias safadas de suas épocas, ao sucesso de um zagueiro da “veterana” conhecido como Zé Mauro. Às sete, chega um senhor com seu jeito próprio, conversa macia e colocação verbal perfeita. Um “mineiro francano” conhecido na área de língua portuguesa, que não deixa o “uai” de lado. Com a simpatia de poeta que é, brinca Luiz Cruz: _ Aqui é a máquina de café? De pronto já recebe a resposta do caixa: _ Fala mestre! Elson, organiza o bigode e complementa: _ Vai Corinthians!
O poeta acredita que agora o seu time vai, e ainda afirma que: “parece que vai contratar todo ataque da Ponte Preta” (risos). Após pagar, vai ao balcão para tomar seu café. Chego e logo já começo conversar com “mestre”. Lembro-lhe das aulas de cursinho, dos sarais que ele declamava – memória invejável do professor. Ele sempre solta um “de primeira” antes de contar o “causo”.

Nesse episódio ele lembra dos profissionais que usam os anéis para simbolizar a profissão. Conta sobre a dificuldade que era passar no vestibular da Faculdade de Direito de Franca em sua época. Conta outros “causos” de mineiros que vieram para Franca, assim como seu pai Vadico. Lamentando a pouca valorização dessa gente que foi construtora de Franca – sem rosto.

Ao fundo, tom de vozes grave orgulhoso, bater de xícaras sobre a ditadura militar, e que era uma época boa pela ordem e respeito que existia. Trata-se de quase um fetiche por militares (risos). Pois bem, entre um causo e outro, sabemos que o perfeito não existe; o pão na chapa, atendimento, e o encontro com poeta compensa essas “lorotas”.

Dione Castro

É administrador de empresa, estudante de gestão empresarial pela Fatec, graduado em direito e um eterno curioso.

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