“É feliz quem a Deus se confia!”

As Sagradas Escrituras apresentam dois caminhos para o nosso discernimento e por onde podemos seguir: orientar e dirigir a vida prescindindo de Deus, vivendo à margem do seu plano e da sua vontade, confiando em nós mesmos, em nossa inteligência e capacidades. Segundo o profeta Jeremias (cf. Jr 17,5-8) e o autor do Salmo 1, quem vive assim renuncia a felicidade, tem uma existência limitada, frágil e sem consistência, como um arbusto plantado no deserto ou a palha seca, condenados à morte e à dispersão pelo vento, pois não recebem o alimento necessário e a força para a vida e a segurança.
Outra via é colocar a nossa confiança e esperança em Deus, na sua Lei e na sua vontade, nas bem-aventuranças (Lc 6,17-23), como centro da existência. Agindo assim, somos como a “árvore plantada junto às águas”, produzindo frutos no tempo certo, pois temos o alimento de que precisamos.
Tudo o que pertence à materialidade, à tecnologia, à ciência, à eficiência e à inteligência humana tem o seu valor e a sua importância. Mas não é a nossa salvação definitiva. Tudo passa e, sem Deus, nada tem sentido. Na sua vontade e nos seus desígnios estão a nossa realização e felicidade. Só nele encontramos o rochedo seguro.
A Palavra é um convite à conversão. É uma proposta que passa pelo coração, pelas atitudes e pela confiança na misericórdia de Deus. A sua vontade é a nossa santificação (cf. 1 Ts 4,3), é “recapitular tudo em Cristo” (Ef 1,10), é viver o amor como o cumprimento pleno da Lei, centro de tudo, vínculo da perfeição e nossa vocação fundamental. Jesus Cristo é o sentido da existência humana na medida em que veio para salvar e redimir. “Viver é cristo” (Fl 1,21).
“Se é para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, nós somos – de todos os homens – os mais dignos de compaixão” (1 Cor 15,19).
Bom domingo e minhas orações.
Dom Paulo.






