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Deus enviou o seu Filho “para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,17).

“Nós vos adoramos, Senhor, e vos bendizemos, porque pela vossa santa cruz, remistes o mundo!” “Eis o lenho da cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, adoremos”. O que para os romanos era um instrumento de punição, suplício, tortura e morte, para os gentios, loucura, e para os judeus, escândalo e vergonha, para os cristãos, é o símbolo de todo o mistério pascal, a “árvore da vida”, sinal da nossa redenção.

Não foi fácil para os discípulos, de imediato, compreender o sacrifício de Cristo na cruz. Eles não haviam assimilado um Messias servidor e sofredor. Mas é na cruz que o véu se desfaz. Ali Jesus rezou a oração dos pobres que se abandonam em Deus (cf. Mt 27,46), foi proclamado como o verdadeiro Filho de Deus (cf. Mc 15,39), perdoou um criminoso arrependido (cf. Lc 23,43), entregou ao Pai o seu espírito (cf. Lc 22,46), deu-nos de presente a sua Mãe (Jo 19,27) e, segundo os padres da Igreja, no sangue e na água que jorraram do seu lado aberto pela lança do soldado (cf. Jo 19,34), nos deixou os sacramentos do Batismo e da Eucaristia.

Desde o seu início, o cristianismo foi identificado com a cruz. Paulo diz que Jesus foi obediente a Deus até à morte de cruz (Fl 2,8), por isso foi exaltado. Ele se fez pobre para nos enriquecer (cf. 2 Cor 8,9). A linguagem da cruz que era loucura para aqueles que se perdem, tornou-se “para aqueles que se salvam”, “poder de Deus” (1 Cor 1,18). O anúncio do apóstolo tem como centro o “Cristo crucificado” (1 Cor 1,23). Ao perder a proteção da Lei, após a sua conversão, também fez a experiência de pobreza, como Cristo na cruz, que foi “crucificado em fraqueza” (2 Cor 13,4). Ele perdeu o apoio da Lei, para viver para Deus, tornou-se pobre e foi “crucificado junto com Cristo” (Gl 2,19). Jesus está vivo pelo poder de Deus (cf. 2 Cor 13,4). Também Paulo tinha a certeza de que a sua força e liberdade estavam ancoradas na fé em Cristo crucificado e ressuscitado (cf. 1 Cor 2,2; Gl 5,1).

A cruz de Cristo é um mistério, é sabedoria de Deus, manifesta o poder do seu amor gratuito que nos salva. Essa é a novidade que Jesus veio trazer e que devemos acreditar e experimentar. A nossa vida cristã tem esperança, liberdade e força permanecendo em Cristo crucificado e ressuscitado.

“Nós devemos gloriar-nos na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (cf. Gl 6,14).

Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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