
No último ano, o Brasil vem apresentando um cenário diferente em relação aos juros. Com o arrefecimento da inflação, onde o indicador oficial do governo, o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo, reduziu-se de 5,79% em 2022 para 4,62% em 2023, o Banco Central do Brasil tem reduzido a taxa básica de juros da economia, gradualmente, reunião após reunião.
A taxa Selic – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia é a taxa básica de juros da economia brasileira e é utilizada como referência nos empréstimos e também na remuneração de títulos públicos federais. Ela é definida pelo COPOM – Comitê de Política Monetária do Banco Central a cada 45 dias onde é decidido pela sua manutenção ou alteração.
Os Juros que estavam em 13,75% a.a. em março do ano passado, hoje se encontram em 10,75% a.a., onde a última redução dos juros ocorreu no dia 21/03/24, sendo essa a sexta redução seguida.
A redução da taxa de Selic é um fator importante, pois ela é utilizada como referência de juros para empréstimos, financiamentos e na remuneração de aplicações financeiras. Quando a Selic está em alta, significa que todas as linhas de crédito tendem a aumentar. O processo contrário também acontece quando a taxa Selic é reduzida, os juros para financiamentos de imóveis, veículos, cartão de crédito, cheque especial, entre outros, tendem a reduzir.
Cabe observar que essa redução não é imediata, pois a política monetária (aumento ou redução dos juros) pode ter efeito em até 06 meses da sua aplicação na economia de um país.
E para as famílias, qual o real impacto da redução da Selic em nosso dia a dia?
Bem, diante de um cenário de alto endividamento das famílias, pois segundo a CNC – Confederação Nacional do Comércio, 76,6% das famílias brasileiras possuem dívidas, sendo que, destas dívidas, o cartão de crédito é a mais utilizada, citada por 87,7% dos entrevistados, seguida por carnês (16,7%), crédito pessoal (9,2%), financiamento de carro (8,1%) e financiamento de casa (8,0%). Qualquer redução dos juros impacta positivamente o orçamento das famílias liberando renda para novos gastos ou aumento da poupança.
No entanto, precisamos conscientizar as famílias que o pagamento de juros, quando não planejado de forma correta pode acarretar problemas futuros.
Veja como exemplo, os juros do cartão de crédito, que são considerados um dos mais altos e ao mesmo tempo, apontando como principal dívida das famílias pela pesquisa de endividamento da CNC, demonstrando desconhecimento por grande parte da população.
Por isso, adotar algumas medidas de controle financeiro contribuem para que as famílias façam escolhas mais assertivas na hora de obter de utilizar o crédito, seja ele para a compra de bens de alto valor ou até mesmo em um momento de dificuldade financeira.
Enfim, a dica que precisa ser sempre relembrada, é para que as famílias adotem um controle dos seus ganhos e gastos pessoais, possibilitando mensurar o impacto que uma nova dívida terá no seu orçamento futuro, evitando-se assim o alto endividamento e, consequentemente, o pagamento de juros excessivos, a restrição de crédito, além de bloqueio de bens alienado.



