Comboio do terror
Não fossem as condições e temperaturas das decisões, falcatruas, tráficos de influências e de toda a sorte de golpes contra a população da capital federal, o que aconteceu na noite de ontem é a antecipação da decretação da falência de fato do aparato estatal da segurança pública.
Sobe no busão
Na noite de ontem, 15, uma série de ataques chamou a atenção no Distrito Federal, com dezenas de ônibus vandalizados em uma ação que aparenta ter sido coordenada.
Numas das levas, em torno de 15 coletivos foram vistos circulando e manobrando nas proximidades da 27ª Delegacia de Polícia, no Recanto das Emas.
Não. Não mudaram os itinerários nem alteram as suas linhas.
Os condutores, sob pena de punições trabalhistas, além das civis e criminais, tiveram que tocar para a Polícia, para fazer B.O. em um B.O. que não é deles. E estavam correndo riscos de morte ou de agressões.
A quantidade de ônibus vandalizados é digna de uma frota para servir uma cidade de médio porte.
Pedras e bolinhas
O número de ônibus da concessionária Urbi[i] danificados durante os atos de vandalismo chegou a 57.
Falam de sete vítimas com ferimentos leves, após ataques com pedras e bolinhas de gude, que ocorreram enquanto os ônibus estavam em operação e transportavam passageiros pela cidade.
A extensão da insurgência é preocupantemente abrangente, constatado que as ocorrências foram registradas no Núcleo Bandeirante, Samambaia, Taguatinga, Recanto das Emas, Ceilândia, Candangolândia, e na via Epia
Motivos
Há fortes indícios de que os atos de depredação em série podem ter sido motivados como represália à demissão recente de funcionários da empresa.
A Polícia Civil farejou a deixa criminosa: para o delegado Josué Pinheiro, a suspeita é que a ação foi realizada por ex-funcionários da empresa para intimidar motoristas e cobradores da empresa.
Ao g1, disse que “tivemos uma demissão em massa no último mês, até mesmo de supervisores. Somente a Urbi foi vítima desse ataque simultâneo, que busca trazer pânico para pessoas específicas, principalmente os motoristas e os trocadores. Ao que tudo indica, são pessoas insatisfeitas que foram demitidas”, disse o delegado.
Baixa
Na manhã desta sexta-feira, como era de se esperar, ao menos dez ônibus não puderam rodar por causa dos ataques.
No protocolo da média institucional, a Secretaria de Mobilidade diz que o serviço de transporte público está normalizado e que não há previsão de reforço na segurança já que o caso foi pontual. Tomara!
Outro lado
Nesta sexta, o presidente do Sindicato de Rodoviários do Distrito Federal, João Dão, como é de esperar e confiar, assegurou que a sua entidade repudia esse tipo de ataque ao sistema de transporte público, até porque coloca em risco a vida do motorista e do cobrador. Além do passageiro que tem o direito de ir e vir. O que aconteceu ontem para nós é lamentável.
Próxima parada
A trajetória de retração da economia do país, observada nos últimos meses, somente não se lê na imprensa e publicidades do governo federal e na de seus asseclas, os quais chegam a faturar para desacreditar o Banco Central, como (des)influenciadores.
Assim é que, na resenha, o saldo de empregos formais recuou 15,6% em setembro de 2025, afetando mais mulheres e trabalhadores qualificados.
O Blog do IBRE anota: demitidos no ano passado foram 19.047.079 desligamentos. Por extenso, dezenove milhões, quarenta e sete mil e setenta e nove empregados, de carteira assinada, ganharam o olho da rua!
Aqui, eu também vou apear.
Théo Maia
Opiniões
[i] @cadebrasilia e
@jornaldebrasilia.ofc







