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Caras novas

Nem tanto.

A onda de conservadorismo, com consistentes pautas ideológicas anti-identitárias e autoproclamada defensora de valores familiares e cristãos, passou por Franca nas últimas disputas municipais de 06 de outubro e fez um estrago.

Melou o jogo de quem achava que o efeito Lula reavivasse as esperanças de importantes vitórias por esses lados de cá, na corcova do mapa do estado.

Não virou.

Nessa marcha, destravada com o bolsonarismo, gostem ou não, o verde e amarelo azularam o vermelho e as suas variações cromáticas, que insiste em levantar bandeiras e distribuir mídia do seu espectro político socialista do pós-abertura.

A esquerda se corneia para uma boa cópula de ocasião. Fusões, federações mandatos coletivos (prato cheio para brigas dos coligados!), chapas, dobradinhas, e o que mais cria, sem crer, duram um processo eleitoral.

A expertise dos marqueteiros adverte que comunismo tem ares de expressão proibida. É palavrão para um povo agarrado ao modo de tocar o barco em verdadeira base estratégica de provincianismo.

A sua ortodoxia está vitaminada pelo ‘Corinthians e Palmeiras’ que domina o território do partidarismo, embora este seja um campo de concentração de refugiados privilegiados, dos dois lados do muro invisível da hipocrisia bilateral. O Centrão é o seu bode expiatório.

PL e PT se odeiam diante dos holofotes e nos posts, loucos por cliques e claques.

Maktub!

E os árabes nada fazem por isso. É atávico aos atores do Congresso, do Palácio do Planalto, das governadorias e do Supremo.

Esquecemos algum Poder?

Evidentemente que não.

A nova Câmara de Vereadores francana de nova não terá muita coisa. É a nanofotografia do que se espraiou nesse Brasilzão de meu Deus. Aceitem o ‘z’ de Brasil no aumentativo, minha zente, que dói menos!

Aos números é que vamos, de olho na posse dos 15 edis que comporão o Legislativo local:

PL: 26,67% (4)

MDB: 20,00% (3)

PSD: 13,33% (2)

REP: 13,33% (2)

PP: 13,33% (2)

PT: 6,67% (1)

PSOL: 6,67% (1)

Caraca, diletos eleitores e leitores e seguidores do nosso Notícias de Franca – a sua Folha!

Os números não mentem. Mente quem os manipula para fins eleitorais, comerciais e outros fins.

Em algarismos redondos, 87% (oitenta e sete por cento) das cadeiras serão ocupadas, a partir de 1.º de janeiro de 2025, por vereadores de direita e de centro-direita e filiados a partidos que têm DNA de parasitas, como carrapatos. E lobos.

Acalme-se.

Sobraram 13% (treze por cento) da banda de lá, na qual a grande vencedora do pleito decidido entre Alexandre Ferreira e João Rocha – absolutamente, tipos vivos e ativos da velha política – decidiu apostar de forma democraticamente clara e contundente: a abstenção, que levou ou deixar de levar, na urna do barulhinho chatinho do TSE, com 88.029 votantes; portanto, superando o prefeito reeleito, Alexandre, que obteve 82.856 votos.

Ainda, assim, foi a direita que se atacou e deu espadada para todo lado; mas, um no outro, nos ringues dos pobres debates e pela língua de trapo de seus paus-mandados, não foi João Rocha?

Otimismo à vista.

O bom brasileiro não desiste hoje. Nunca é resistir a um churrasco na faixa, a uma manhã de sol na Praia dos Carneiros, a um passeio com o seu pet, viajar sem hora para voltar com quem se ama, …

É promissor juntar, de fato, o que representam os dois ilustres e bem preparados vereadores da oposição natural ao alcaide, o que encarna o governador da nossa maravilhosa província, com os eleitores que, de saco cheio de tantos mais dos mesmos, enfiaram o pé na jaca e deram as costas para o desatualizado e insustentável voto obrigatório.

Para quisso, ah, para!

Razões para acreditar que teremos fiscais da execução do orçamento público e cobrança das customizadas promessas da campanha vencedora são os 48,76% (quarenta e oito vírgula setenta e seis por cento) –  podemos arredondar para a metade? – não votaram no Prefeito que ganhou um bis.

Chocolate é bom.

Os que votaram nulo ou em branco nem computamos.

Façamo-lo agora. São mais 11,46% (onze vírgula quarenta e seis por cento). Fudeu de vez! A expressão é forte e de baixo calão. Falar o quê?

Há algo de errado e de podre na política, disseram os eleitores.

Abstenção é maneira legítima de manifestação política.

Tudo isso junto e mixado, vai a 60,22% (sessenta vírgula vinte e dois por cento) da população habilitada a votar que refutou e, por conseguinte, repudiou os nossos candidatos ao cargo maior do Executivo do pedaço, e as suas inconvincentes e implausíveis propostas, mesmo porque programa de governo se compra pronto – com $elo de garantia – , preparado para imediato consumo. Depois das urnas abertas, perdem a validade.

Deve ser desafiador governar contra a opinião direta e sincera da maioria.

Boa sorte para nós.

A lógica da democracia comporta a incoerência e a reprimirá a médio prazo. Não pague para ver.

por Théo Maia

Dr. Theo Maia

Advogado Previdenciarista (OAB-SP 16.220); sócio-administrador da Théo Maia Advogados Associados; jornalista; influenciador social; diretor do Portal Notícias de Franca; bacharel em Teologia da Bíblia; servo do Senhor.

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