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“A minh’alma tem sede de vós, como a terra sedenta, ó meu Deus!”

Jesus estava com os seus discípulos, “rezando num lugar retirado”, e ali “perguntou-lhes: “Quem diz o povo que eu sou?” (Lc 9,18). Não havia ainda uma clareza sobre o seu messianismo. Pedro foi o interlocutor do grupo quando o Mestre quis saber deles quem ele era: “O Cristo de Deus” (Lc 9,20). Jesus é o ungido pelo Espírito de Deus (cf. Lc 4,1), a revelação do Pai, a sua presença entre nós. Com a sua vida e missão, revelou a misericórdia divina para com a humanidade e o seu desejo de salvação.

Após à profissão de fé de Pedro, Jesus fez uma previsão do seu sofrimento, rejeição, morte e ressurreição. Também apresentou as condições para o seguimento: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).

Qual é a minha cruz? Pode ser a das diversas atividades rotineiras, da vocação, da profissão, da missão que exerço; da espera, do discernimento, da idade, de uma doença, uma deficiência, de um apego desordenado, da vida em comunidade, de um relacionamento difícil, de uma crise, uma decepção, ou uma perda.

Jesus nos ensina como viver uma experiência de cruz. Ele não suprimiu a dor e o sofrimento, mas assumiu a sua cruz por amor e com amor, sem revolta.

Podemos aprender a descobrir o valor da vida nas coisas pequenas e simples, a tirar lições do dia-a-dia. Quem vive iluminado com a luz da fé, sabe ver a realidade comum com um esplendor particular. O momento presente é o caminho mais seguro para a santidade. É preciso ter paciência com o cotidiano, com os acontecimentos e contratempos, com as pessoas e conosco mesmo. Devemos fazer às pazes com a nossa humanidade, com os nossos defeitos: quando admitimos as fraquezas, encontramos caminhos para a superação. Assumindo as nossas cruzes, como Jesus, podemos fazer brotar a esperança em qualquer desafio. Se nos revestimos de Cristo em nosso batismo, a nossa história, mesmo com a cruz, é mais bela e humana. Se temos fé, sabemos que Deus está conosco e por nada tememos. Enquanto mantivermos o combate, estaremos amando o Senhor, e Ele sempre nos ama.

“Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de oração; eles olharão para mim” (Zc 12,10).

Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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