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A água, o vento e a manutenção dos sistemas

São Paulo teve mais um dia difícil em razão do desequilíbrio climático. Importantes vias públicas foram tomadas pelas águas – que caíram em quantidade acima do habitual – e 28 mil consumidores tiveram interrompido o abastecimento de eletricidade, com todos os problemas que esses sinistros trazem à população. A nota extrema, na tarde desse dia de Natal, chegou pela televisão. O repórter Rafael Batalha, do Programa “Tá na Hora”, do SBT, durante sua cobertura ao vivo, notou que a condutora de um veículo tomado pelas águas, se encontrava isolada na calçada em sinal de iminente perigo já que às águas estavam subindo, imediatamente após conversar com a moça, deixou o seu posto e partiu em seu socorro. Felizmente, o acidente não se consumou e a própria vítima, abandonou o local acessando um ponto seguro, onde foi socorrida.

Localizada num território de muitos cursos de água, tanto grandes como pequenos, a capital paulista apresenta muitos riscos à população. Tradicionalmente, as margens de rios, córregos e riachos são inundadas e levam a população a grandes prejuízos. O que, durante décadas ocorreu por conta de construções irregulares nas áreas de aluvião, que servem para o escoamento das cheias, agora também é agravado pelas chuvas em larga escala, onde num curto espaço de tempo cai do céu a água que normalmente cairia durante o dia inteiro ou até por vários dias.

As alterações climáticas trazem problemas a praticamente todo o País e até aos vizinhos Argentina, \Uruguai, Paraguai, Bolívia e Peru. Em território brasileiro, os fenômenos costumam chegar pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina para depois se espalhar a outras regiões, com efeitos devastadores. No caso específico de São Paulo, temos as árvores que – atacadas pelo vento forte – quebram e derrubam seus galhos sobre a rede de distribuição elétrica e as águas que saem do leito natural dos rios e causam danos nos territórios onde no passado se construiu irregularmente vias públicas e até bairro cujos moradores atualmente vivem em risco permanente.

Independente das causas que nos levaram ao desequilíbrio climático, cabe ao poder público – federal, estadual e municipal – realizar projetos e obras que resolvam as inconformidades. evitando que a população continue sob risco e, até, perca a vida.

Durante o período eleitoral, presenciamos a polêmica sobre a falta de solução para os problemas do desabastecimento de eletricidade. O governo federal chegou a mexer nos prazos que as distribuidoras têm para restabelecer seus serviço mas, pelo visto, tudo continua como antes. Além da capital, várias outras regiões paulistas também estiveram com problemas de abastecimento de eletricidade. É preciso resolver a crise atacando com prioridade os problemas recentemente surgidos pelas alterações do clima. Além de trazer segurança à população, essa providência também beneficiará a Economia.

Ao jornalista Roberto Batalha os nossos cumprimentos pelo seu desprendimento e senso humanitário dignos de ser imitados por todos os cidadãos. A vítima acabou não necessitando de sua ajuda física mas teria encontrado grandes dificuldades caso fossem – ela ou seu carro – dominados pelas águas…

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

É dirigente da Aspomil (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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