4 mulheres, um caminho

Por Ana Cláudia Querino
Éramos quatro. Por quase toda minha vida fomos quatro mulheres juntas. Hoje estamos duas. E que Deus nos dê muito tempo ainda. A mulher que sou agora é feita de retalhos costurados com a vivência e convivência com elas. Muito exemplo e pouca explicação, muita mão na massa e pouco discurso. A vida delas foi mais dura que a minha. Tive a sorte de aprender a ser mulher com elas, mulheres que trabalharam desde cedo, tiveram duras perdas,muitas batalhas, dores amargas e também muitas vitórias, foram mães , irmãs, tias, amigas de corpo e alma . Maria, minha avó, mãe de 8 filhos, viúva aos 40 e poucos, uma pequena grande mulher, aliás , a maior que conheci. Fibra, coragem e resiliência. E fé , uma inabalável fé na vida. Com ela, aprendi a fazer crochê, plantar, encher a casa de festa e nunca desistir. Enquanto há vida,quero colocar meu colar de pérolas. E ela viveu intensamente seus 102 anos. Neiva, nossa eterna criança, a tia que nunca chamei de tia, que foi mais uma irmã para mim e depois, filha. Apaixonada por bolo de aniversário, louca por festas e presentes , brava e autêntica. Queria ser assim às vezes, sem filtros, falar o que penso, não ter nenhum compromisso em agradar, mas nós , os “ normais “, não temos essa coragem. Quero levar para minha vida toda essa capacidade de se encantar com gibis da Mônica, de esconder doce para comer tudo sozinha, esse brilho infantil sem reservas que ela tinha. Edina, minha mãe. O que falar de quem me carregou no ventre, amamentou, ensinou a comer, a falar, a andar ? A mulher da minha vida . Dedicação e amor em exagero, incansável, íntegra, necessária. A estrutura de nossa casa, a força que estava em todos os lugares, em todos os momentos. Me ensinou pelo exemplo, sempre fizemos tudo juntas, cozinhamos, costuramos, bordamos, vivemos dores e alegrias mas sempre juntas. Ela não faz muito barulho, faz tudo com capricho e cuidado, é a amiga que todos querem ter. Hoje já anda mais devagar, passou algumas funções para mim, a cozinha, a organização das festas da família , mas continua fazendo exercícios, cantando no coral, dirigindo, viajando e continua muito bonita como sempre foi. E assim, sigo um caminho que vem sendo trilhado por mulheres de verdade. Como é bom ser mulher







