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“Vivei à altura do Evangelho de Cristo” (Fl 1,27)

Jesus contou a parábola (Mt 20,1-16) do patrão que contratou trabalhadores para a sua vinha em horários diferentes, orientando o seu administrador a pagar, no final do dia, a mesma diária a todos, a começar pelos últimos, o que gerou descontentamento daqueles que trabalharam mais. A sua atitude parecia um absurdo, mas ele não foi injusto, pois pagou a todos o que havia combinado; também foi livre de fazer aquilo que bem entendeu com os seus bens.

Há um sublime ensinamento do Mestre nesta estória: é a gratuidade do Reino de Deus. O Senhor não nos salva ou nos ama segundo as nossas obras, mas por pura misericórdia.

Jesus Cristo é o Verbo Encarnado, autor de toda graça. Sua presença na história humana, encarnação, vida, morte e ressurreição são sinais do amor gratuito de Deus. Na sua catequese, Ele nos ensina que a justiça de Deus não é mero cumprimento da Lei e retribuição das obras humanas, como pensavam alguns. Na justiça dos homens cada qual recebe ou é valorizado por aquilo que produz. Na justiça do Reino não há privilégios, o Pai acolhe a todos com o mesmo amor gratuito, que não se compra e nem se comercializa. Na justiça do Reino, “os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos” (Mt 20,16); “Meus pensamentos não são como os vossos pensamentos e vossos caminhos não são como os meus caminhos, diz o Senhor” (Is 55,8). A pedagogia da misericórdia de Deus é diferente da nossa: Ele “é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura” (Sl 144,9). A sua misericórdia é um convite à nossa conversão sincera, à superação de nossa inveja. Converter-se é deixar o caminho do erro e buscar o Senhor, voltando a vida para Ele (Is 55,6-7), mesmo que seja na última hora.

Paulo (Fl 1,20-24.27) partilha com os membros da comunidade que não teme a morte, pois para ele, “o viver é Cristo e o morrer é lucro”, mas por causa da missão evangelizadora, considera necessário continuar vivo. O que importa é proclamar o Evangelho, e que Cristo seja glorificado. Aconteça o que acontecer com a sua pessoa, o apóstolo exorta os filipenses para que vivam a altura do Evangelho e que permaneçam firmes em Cristo morto e ressuscitado.

Minhas orações a todos.
Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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