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“O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso”.

Pedro perguntou a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes”, que já é muito! Ele foi além, e respondeu: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete”, 490 vezes, isto é, sempre, um perdão total. A seguir, ilustrou a sua resposta com a parábola do “devedor implacável”, que revela a dívida que temos para com Deus e a sua infinita misericórdia, pois Ele nos perdoa sempre (Mt 18,21-35).

Por maiores que sejam as dívidas e o pecado, para o Senhor, o perdão não tem limites, é total e contínuo. O autor de Eclesiástico já pregava: “O rancor e a raiva são coisas detestáveis… Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados” Eclo 27,33; 28,2).

Deus perdoa todas as nossas iniquidades e cura todas as nossas doenças. “Não age conosco segundo nossos pecados, e não nos retribui segundo nossas iniquidades… Como o oriente se distancia do ocidente, tanto ele afasta de nós nossos pecados” (Sl 102, 3.10.12).

Jesus é a encarnação da misericórdia de Deus, é o Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo e que nos salva. “Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz” (Cl 2,24).

Muito mais do que um esforço humano, perdoar é um ato de fé e de amor, exige a graça de Deus, oração e a luz do Espírito Santo, pois imitamos o próprio Deus no seu agir: o seu rosto é a misericórdia.
Mas perdoar exige também da nossa parte vontade, obediência, decisão e humildade.

O ato de perdoar destrói o ódio e a vingança, transforma as situações, derruba os muros de inimizades, resconstrói os relacionamentos, traz a harmonia de volta, salva a vida comunitária. O perdão é um agente purificador do nosso coração e dos afetos, desobstrui a alma de ressentimentos, raiva e vingança e nos liberta para dar e receber amor, fazendo-nos felizes.

Experimentamos a misericórdia e o perdão porque pertencemos ao Senhor. Ele é a nossa razão de viver, “morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos” (Rm 14,9).

Minhas orações a todos.

Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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