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“José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado” (Mt 1,24).

O último domingo do Tempo do Advento destaca a virtude da obediência. Na espiritualidade cristã, obedecer é ser fiel ao chamado de Deus, é fazer a sua vontade. Nesse sentido, Jesus é o nosso modelo por excelência, pois toda a sua vida foi um ato de obediência, que consiste em fazer a vontade do Pai: “Meu alimento é a vontade do Pai; é fazer a vontade daquele que me enviou e completar a sua obra” (Jo 4,34). A obediência de Jesus é entendida dentro do plano da salvação.
Da contemplação do mistério de Jesus Cristo, o Filho obediente em tudo, nasce a obediência dos discípulos, que consiste em fazer o que agrada a Deus.
O Tempo do Advento nos apresenta algumas figuras tementes a Deus, que acolheram com ânimo e generosidade o seu chamado, foram solícitas e se ofereceram para servi- lo. Maria e José se destacam.
Maria ficou perturbada com a saudação do anjo Gabriel, quando este disse que era “cheia de graça”, e que o Senhor estava com ela (cf. Lc 1,28). Ao ouvir as palavras do anjo sobre o menino que iria nascer do seu seio, perguntou: “Como acontecerá isso se eu não conheço homem algum?” (Lc 1,34). Depois das explicações de Gabriel, colocou-se como serva do Senhor: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
O justo José era descendente de Davi e estava comprometido com Maria. Quando soube da sua gravidez, ficou confuso e resolveu terminar o noivado e deixá-la em segredo, sem comentar nada sobre o fato. Através de um sonho, ficou consolado com a revelação do anjo do Senhor de que o menino era Filho de Deus e que ele deveria manter o casamento. “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado, e aceitou sua esposa” (Mt 1,24).
José e Maria são modelos perfeitos de disponibilidade ao Senhor. A encarnação do Verbo foi possível com o sim de ambos. Eles são nossos intercessores no exercício da obediência, como expressão da vontade de Deus.
A vontade de Deus é a que se manifesta através dos mandamentos, é a nossa salvação, a nossa vida, a prática do amor e da justiça, a nossa reconciliação com Cristo, a nossa santificação.
A obediência é uma virtude que nos torna gratos a Deus. Ela acontece por amor: tanto da que se deve ao Senhor e aos seus mandamentos, quanto da que se deve à Igreja.
“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu”.
Minhas orações a todos.
Dom Paulo.

Dom Paulo Roberto Beloto

É Bispo da Diocese de Franca

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