Região

Um olhar de misericórdia

No relato de Lucas, proclamado este ano na liturgia do Domingo de Ramos, encontramos episódios ausentes dos demais Evangelhos e são registrados detalhes eloquentes, que ajudam a apresentar-nos um Christus patiens (Cristo Paciente).

Um dos Doze, Judas, vai trair Jesus a ponto de entregá-lo nas mãos de seus adversários, os principais sacerdotes do templo que decretaram sua morte. Os outros discípulos, assim que Jesus anuncia a traição de um membro de sua comunidade, começam a discutir sobre quem d´entre eles era o maior.  Na celebração da ceia pascal, Jesus dá aos Doze um ensinamento de com ser “servo”: “Aquele que quiser ser o primeiro, seja aquele que serve a todos”.

Durante o julgamento do procurador romano, Pilatos, três vezes Jesus é declarado inocente e logo depois encontra o tetrarca Herodes, diante do qual fica absolutamente em silêncio. 

Em Lucas, além do tema da tentação e da oração, onde Jesus diz: “Pai, se possível afasta de mim este cálice, não seja, porém, como eu quero, mas como Tu queres”. Jesus entra neste combate para vencer e aqui podemos ver também uma ênfase particular no perdão que Jesus sabe dar a seus inimigos, nesta hora de mais intensa angústia. Jesus trava uma batalha, enquanto os discípulos dormiam. Para muitos, segundo Jesus, esta será a hora da escuridão, enquanto para Ele é a hora de se colocar nas mãos do Pai, através de uma oração intensa.

Também chama a atenção uma anotação que é apenas de Lucas sobre o olhar de Jesus dirigido a Pedro após sua tríplice negação. Pedro nega três vezes o Mestre e imediatamente o galo canta e no mesmo instante Jesus se vira, procura Pedro com seu olhar de misericórdia e provoca nele um choro de arrependimento, um choro amargo que vem da consciência de não ter podido permanecer firme como uma Rocha.

Mas será, sobretudo na cruz, que Jesus revelará a sua misericórdia. Enquanto ele está agora levantado entre dois malfeitores, um à sua direita e outro à sua esquerda, olhando para seus algozes, seus inimigos e a multidão que testemunha aquela execução, Jesus ora dizendo: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que estão fazendo”. Enquanto seus inimigos o matam, Jesus invoca sobre eles o perdão de Deus, tornando-se, assim, um instrumento de reconciliação. 


Fonte: Enzo Bianchi

Pe Mário Reis Trombetta

É vigário da Paróquia Cristo Rei, em Orlândia. Já atuou nas Paróquias Santana, São Crispim e Santa Rita de Cássia, em Franca. Fez Filosofia na Capelinha, com os Agostinianos e, em 1992, seguiu para Florença, Itália, e posteriormente, Madri, na Espanha, para concluir seus estudos. Retornou a Franca em 96 e foi ordenado padre em 98. Completa este ano 23 anos de sacerdócio.

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