Caso Mikael: laudo revela cinco tiros e mutilação; investigação avança em Franca
Polícia Civil reúne novas provas contra o principal acusado, enquanto exames em arma apreendida e vestígios de DNA podem reforçar a investigação
A investigação sobre a morte do cabeleireiro Mikael Santos Lima, de 29 anos, ganhou novos desdobramentos com a conclusão do laudo do Instituto Médico Legal (IML). O documento reforça a hipótese de que o crime foi planejado e executado com extrema violência.
Segundo a perícia, Mikael foi atingido por pelo menos cinco disparos de arma de fogo, compatíveis com uma pistola calibre .380. O exame também confirmou que as falanges de alguns dedos da vítima foram removidas, numa tentativa de dificultar sua identificação.
O corpo foi localizado em uma área de mata na região do Paiolzinho, zona rural de Franca, após cerca de uma semana de buscas.
Desaparecimento mobilizou familiares e forças de segurança
Mikael desapareceu após sair de casa acompanhado de Thalys Rafael, apontado pela Polícia Civil como o principal investigado no caso.
Nos dias seguintes ao desaparecimento, familiares iniciaram uma intensa campanha nas redes sociais e mobilizaram amigos, voluntários e equipes de segurança em busca de informações.
Durante a investigação, imagens de câmeras de monitoramento ajudaram a reconstruir parte dos últimos passos da vítima. Segundo a Polícia Civil, os registros mostram Mikael e Thalys seguindo praticamente o mesmo trajeto em direção à região do Paiolzinho, onde o corpo seria encontrado dias depois.
Suspeito é acusado de extorquir a própria família da vítima
Enquanto parentes viviam dias de angústia tentando localizar Mikael, a investigação aponta que o principal acusado teria tentado lucrar com o desaparecimento.
De acordo com a Polícia Civil, Thalys foi preso inicialmente por extorsão após exigir R$ 50 mil da família em troca de supostas informações sobre o paradeiro do cabeleireiro. As versões apresentadas por ele aos investigadores também levantaram suspeitas por apresentarem diversas contradições, segundo a investigação.
Compra de grama e outras provas reforçam investigação
Outro elemento considerado importante pela Polícia Civil são imagens de câmeras de segurança que, segundo os investigadores, mostram o acusado comprando grama pouco antes de o corpo ser localizado. A suspeita é de que o material tenha sido utilizado na tentativa de ocultar vestígios do crime.
Além disso, a última localização conhecida do telefone celular de Mikael também passou a integrar o conjunto de provas analisado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os investigadores ainda trabalham para esclarecer todo o percurso realizado após o desaparecimento da vítima e verificar se outras pessoas participaram do homicídio.
Ministério Público denuncia acusado por homicídio triplamente qualificado
Com base nas provas reunidas até o momento, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Thalys pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e extorsão.
Ele permanece preso na Penitenciária de Franca enquanto responde ao processo.
Novos exames podem fortalecer as provas
A investigação ainda aguarda o resultado de exames considerados decisivos.
Entre eles está a perícia em uma arma apreendida na residência do pai do acusado, que poderá confirmar se o armamento foi utilizado na execução.
Também seguem em andamento os exames de DNA em vestígios de sangue encontrados no veículo utilizado pelo investigado. Caso haja compatibilidade genética com a vítima, os resultados poderão reforçar o conjunto probatório já reunido pela Polícia Civil.
Motivação ainda é investigada
Embora a autoria esteja no centro das investigações, a motivação do crime ainda não foi oficialmente esclarecida.
Os investigadores trabalham com diferentes hipóteses e não descartam o envolvimento de outras pessoas na execução ou na ocultação de vestígios.
A defesa do acusado terá oportunidade de apresentar sua versão dos fatos durante o andamento do processo. Até eventual condenação definitiva, o investigado é considerado inocente, conforme garante a legislação brasileira.







