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“Situação brava, porque a gente não sabe onde vão atacar”, diz pastor ligado a Franca, que está na África

Um violento ataque deixou pelo menos cem civis mortos em Solhan, no norte de Burkina Faso (ou Burkina Fasso), na África, entre ontem e hoje. Esse foi, de acordo com especialistas, o ataque mais sangrento registrado no país desde o início da violência extremista islâmica, em 2015.

A Semadef (Secretaria de Missões da Assembléia de Deus em Franca) mantém um trabalho missionário em Burkina Faso, de ajuda a crianças carentes e em vulnerabilidade. O trabalho é realizado por intermédio do casal de missionários Pastor Mamadou Kologo (africano) e Rejane da Silva Kologo (brasileira, de Porto Alegre). O casal é amigo de longa data do presidente da Assembleia de Deus, de Franca, Pastor Isaac Ribeiro e, em virtude dessa ligação e do trabalho mantido pela Igreja, já estiveram na cidade diversas vezes. O pastor Mamadou, diante da preocupação que o ataque despertou entre os integrantes da Assembleia de Deus de Franca, enviou áudios ao Pastor Isaac, em que diz que a situação no País é complicada, claro, mas tranquiliza os amigos explicando que ele e a família se encontram em local distante dos ataques.

“Situação brava, porque a gente não sabe onde vão atacar, sempre atacam de surpresa, mas precisamos de oração, mesmo. Mas aqui tá tudo bem. A gente tá na parte Sudoeste e esse ataque foi no Norte. Aqui tá tranquilo. A gente tá bem, graças a Deus”, diz trecho do áudio (ouça os áudios abaixo).
Segundo pastor Isaac, a Assembleia de Deus de Franca realiza esse trabalho missionário há mais de dez anos, em Burkina Faso. “É um trabalho muito bonito. Estive lá em 2017 e pude acompanhar de perto. São 20 crianças mantidas pela Assembleia de Deus de Franca e que moram num internato, onde têm, além da moradia garantida, também a alimentação e a educação. Além disso, fornecemos diariamente o café da manhã para 100 crianças em situação de vulnerabilidade”.

O pastor Isaac explicou que, além desse trabalho missionário, a Semadef, sob a coordenação do Pastor Levi Duarte, mantém várias missões pelo Brasil – como no Vale do Jequitinhona – e, também, em outros lugares do mundo. “A partir de um princípio bíblico, entendemos que temos que cuidar dos irmãos de todos os lugares, até os confins da
Terra. E África é um país esquecido. Coisas que vivemos há 20, 30 anos, eles estão vivendo ainda hoje. Assim como essas regiões nas quais mantemos o trabalho missionário. A visão da Igreja é ir onde muitos não querem ir e ajudar”, disse, e completou: “E em lugares como Burkina Faso, em que a maioria da população é islâmica, ou sejam, não acreditam em Jesus, o único jeito de nos aproximarmos e ajudarmos, é disseminando o amor. E o trabalho social é parte disso”.

Segundo informações iniciais, o ataque teve como primeiro alvo o posto dos Voluntários pela Defesa da Pátria (VDP) e, em seguida, casas de moradores foram atacadas e os residentes executados. A ação levou medo e preocupação àquela localidade. Solhan registrou vários ataques nos últimos anos, todos cometidos por supostos extremistas islâmicos.

Ouça os áudios:

Um pouco sobre Burkina Faso

Fonte: Brasil Escola

Burkina Faso significa “terra dos homens dignos”, no dialeto local. O país tem a maior parte de seu território situado numa região árida à beira do deserto do Saara, no oeste da África. Seu território não possui saída para o mar, limita-se com Mali (a oeste e norte), Costa do Marfim (a sudoeste), Gana (ao sul), Togo (ao sul), Benin (a sudeste) e Níger (a nordeste).

Entre 1894 e 1904, exércitos da França invadiram o território de Bukina Fasso com muita violência, devastando tribos, casas, plantações e rebanhos ali estabelecidos. A independência do país só foi obtida em 1960. A partir daí, a história do país registra uma série de golpes militares.

A economia nacional baseia-se na agricultura, porém, os longos períodos de seca prejudicam o desenvolvimento da atividade, sendo que sua produção não é necessária para suprir a demanda local, fazendo com que grande parte dos alimentos sejam importados.
O país abriga parques nacionais e reservas com grande potencial turístico, no entanto, esse potencial não é explorado de forma significativa.

Burkina Fasso, que tem uma extensão territorial de 274.200 km quadrados e uma população de pouco mais de 15,7 milhões de habitantes, apresenta uma série de problemas socioeconômicos. A pobreza, a fome e a carência de água potável castigam a população local. A taxa de analfabetismo é a maior do planeta (80%). Todos esses fatores refletem diretamente no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, que atualmente é um dos menores do mundo.

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