São José relata ‘colapso financeiro’ para justificar atraso de salários
Neste sábado, 19, motoristas da São José cruzaram os braços e não saíram da garagem da empresa. Com isso, o transporte público em Franca, feito exclusivamente pela empresa, foi interrompido. O motivo da paralisação, segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas de Franca, Geraldo Xavier de Almeida, o Geraldinho, é o atraso nos salários que teria se tornado frequente neste ano.
Procurada para comentar o assunto, a Empresa São José, através da sua assessoria, confirmou que não conseguiu efetuar o pagamento dos funcionários no quinto dia útil do mês. O motivo, segundo a concessionária que renovou o contrato com a Prefeitura de Franca por mais dez anos em 2019, é um colapso financeiro. “Se a situação já estava difícil por conta da pandemia, o lockdown de 15 dias (de 27 de maio ao dia 10 deste mês), fez com que a concessionária entrasse em colapso financeiro”, explicou, por nota.
“Em Franca, ao contrário de algumas cidades que entenderam que o transporte é essencial para a população, ano após ano, o assunto foi relegado a segundo plano. E, por isso, toda a receita da concessionária advém do transporte de pessoas e, sem poder prestar o serviço para a qual é contratada da Prefeitura, a concessionária não teve receita alguma no período de 15 dias, ao mesmo tempo que já tinha uma série de compromissos assumidos com funcionários, fornecedores e bancos”, completou a empresa.
Segundo a São José, tanto Prefeitura quanto Emdef (Empresa Municipal para Desenvolvimento de Franca) têm conhecimento da atual situação enfrentada pela concessionária. “Mensalmente, todas as informações sobre os custos, passageiros transportados e receita são repassados às autoridades municipais.”
A empresa afirmou que a Prefeitura, desde antes da pandemia no governo do então prefeito Gilson de Souza (DEM), “tem se omitido quanto ao cumprimento das cláusulas contratuais de fazer a revisão anual da tarifa pois os valores dos insumos, como salários, benefícios, óleo diesel, pneus, peças e acessórios, energia elétrica e demais itens que compõem o custo operacional têm sofrido reajustes constantes e esses reajustes são ignorados pelo Poder Público”.
Essa omissão teria, de acordo com a São José, impactado de forma direta a concessionária. “Com a pandemia e as restrições impostas aos mais diversos setores da economia, o transporte teve uma perda de demanda acentuada que chegou a 80% da quantidade de usuários pagantes na cidade… Mas o lockdown de 15 dias foi como uma pá de cal sobre as finanças da concessionária.”
A greve dos motoristas, a interrupção do serviço e as reclamações por parte da Empresa São José acontecem exatamente no fim de semana que antecede a votação na Câmara Municipal do projeto polêmico do prefeito Alexandre Ferreira (MDB) que prevê a aquisição de R$ 1,3 milhão em passagens da São José que seriam fornecidas para usuários de serviços da Prefeitura.









