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‘Quem não toma a vacina não sabe a dor que é perder um familiar por isso’, diz filha de uma das 1 mil vítimas da covid em Franca

Nessa quarta-feira, 6, Franca chegou a marca de 1 mil mortes provocadas pela covid-19. São pais, mães, avós, avôs, filhos, filhas, netos, netas, primos, maridos, esposas, irmãos e amigos. Mil vidas levadas e mil famílias que levarão sempre consigo a tristeza dessa perda. São histórias que foram mudadas para sempre durante a pandemia que há mais de 18 meses assola Franca, o Brasil e o Mundo.
Entre as 1 mil vítimas que não resistiram à covid-19 em Franca está Alcides Donizete Alecrim, então com 42 anos e chefe de expedição. Ele se contaminou quando visitava os pais, em Santo Antônio da Alegria, no fim de maio, ao ter contato com o irmão que não sabia que estava contaminado. No início assintomático, Alcides passou a sentir os sintomas quando a mãe foi internada.

De acordo com a família, ele buscou atendimento no Pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz” no início de junho. Na época, Franca vivia um dos momentos mais críticos da pandemia, com pacientes morrendo à espera de leito e o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) havia decreto o lockdown.

Inicialmente se tratando em casa, o chefe de expedição, que não possuía nenhuma doença pré-existente, piorou rapidamente e precisou ser internado. Sem vaga em hospitais, ele foi intubado ainda no PS Municipal e só depois de alguns dias conseguiu vaga no Hospital do Coração. Neste momento, ele já estava com o pulmão completamente comprometido, um rim havia parado e desnutrido. Apenas dois dias após a transferência, no dia 11 de junho, a família foi comunicada da morte. “Foi um choque receber aquela notícia, foi muito triste e até hoje eu ainda não me conformo… Meu pai e eu sempre fomos muito próximos. Ele era tudo pra mim… Eu, ele e minha mãe sempre fomos muito próximos. Éramos uma família muito unida. Sempre fomos nós três e meus cachorrinhos”, disse, emocionada, a única filha de Alcides, Anna Luyza Mariano Alecrim. “Eu sinto muita falta dele, é muito difícil. Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer na minha família. Tinha medo pela minha mãe, que tem bronquite, mas não imaginava meu pai… É uma coisa que não conseguimos explicar, é muito triste. Minha mãe também não se conforma, foram 23 anos de casados”, disse Anna.

A auxiliar de dentista, que tinha tomado a vacina no começo do ano por ser profissional da saúde, alerta sobre a importância de que todos tomem o imunizante. “Quem não toma a vacina não sabe a dor que é perder um familiar por isso. É uma sensação horrível… A vacina serve para se prevenir e não sentir a dor de perder alguém ou morrer… Em uma semana eu vi meu pai internar, piorar, ser intubado e ir piorando e morrer.”
“Não teve velório. Eu não vi meu pai no caixão, eu vi só um caixão lacrado. Meu pai foi enterrado sem as roupas dele, em dois sacos plásticos e não pude chegar perto, não tem coisa pior. É horrível”, finalizou.

Mil mortes

Segundo o boletim divulgado pela Vigilância Epidemiológica, a faixa etária com mais mortes em Franca é a de pessoas com idade entre 60 e 69 anos, com 221 vítimas. Logo depois estão as pessoas com idade entre 70 e 79 anos: 216 vítimas; seguido de 50 a 59 anos, com 188 mortes; 80 e 89 anos são 160 mortes; 40 a 49 anos, com 123 vítimas; 30 a 39 anos, com 39 vítimas; 35 mortes em idosos com mais de 90 anos; 16 vítimas de 20 a 29 anos; e 2 vítimas com idade entre 0 a 9 anos. A única faixa etária sem nenhuma morte na cidade é entre jovens de 10 a 19 anos.

Vacinação

Vista por especialistas como a única forma de conter a pandemia e garantir que mesmo ao ser infectado o paciente tenha sintomas mais leves, a vacinação em Franca avança dia a dia. De acordo com os últimos dados divulgados pela Prefeitura, mais de 83% da população já recebeu ao menos a primeira dose de um dos imunizantes e 54% dos francanos já completaram o esquema vacinal.

Os números apontam que mais de 486 mil doses já foram aplicadas na cidade, sendo mais de 284 mil primeiras doses e 199,4 mil segundas doses e 2,5 mil doses adicionais, ou seja, a terceira dose. Apesar disso, na semana passada, quando a cidade realizou o “Dia V” de vacinação para a aplicação da segunda dose naquelas pessoas que ainda não haviam procurado um posto de saúde para receber o reforço da vacina, a procura foi muito pequena. De um total de mais de 27 mil pessoas que estavam com a dose em atraso, pouco menos de 2 mil pessoas aproveitaram o mutirão e receberam a dose complementar.

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