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Psicólogo Douglas Buzoni explica a importância do autoconhecimento para nossas escolhas e qualidade de vida

O autoconhecimento é um dos temas mais debatidos das últimas décadas. Pessoas das mais diversas áreas vêm se debruçando sobre o assunto, cada um trazendo suas percepções a respeito. Nas empresas, por exemplo, anualmente altos investimentos são feitos em treinamentos para seus colaboradores, visando desenvolver nos mesmos maior compreensão de si, de suas qualidades e dos pontos que precisam ser trabalhados.

Geralmente psicólogos são chamados a aplicar exercícios de autocompreensão e autoliderança para que nestas vivências as discussões sejam facilitadas e ganhos potenciais sejam alcançados. O psicólogo Douglas Buzoni escreveu um livro sobre o assunto e, em entrevista ao portal Notícias de Franca, e abordou o assunto. Confira os principais trechos:

NF: Douglas, você poderia nos falar um pouco sobre o que de fato é autoconhecimento e sobre o porquê deste assunto ser tão utilizado atualmente?

Autoconhecimento é algo de valor inestimável. É o somatório daquilo que conhecemos sobre quem somos enquanto indivíduos. É o resultado de uma longa investida em nossas qualidades, em nossos pontos fortes e fracos, nosso histórico de vida, nossos sonhos, nossas alegrias e nossas tristezas. Nisso também entra tudo quanto aceitamos ou não em nós, mas que faz parte de quem somos. Não é porque eu nego algo que aquilo não existe em mim e a forma como se lida até com essas questões negadas e não aceitas, também é um reflexo do nível de autoconhecimento que se tem.

NF: Em seu livro “Consciência Emocional: o manual do paciente” você traz uma maneira própria de tratar do assunto. Fale um pouco sobre.

Vejo a consciência emocional como o resultado dessa compreensão. Depois que se reconhece, se compreende e se aceita estes fatores internos e externos que nos levam a nos sentirmos de determinada maneira com relação a nós mesmos e à nossa realidade interna, desenvolvemos a consciência emocional. Nada acontece de modo isolado. Nosso “eu” atual é o resultado de nossos acontecimentos passados, nossas vivências atuais e a forma com que nos sentimos com relação a tudo isso. Pra que isso fique mais claro, é uma espécie de “caminho do meio” entre nossas questões genéticas e biológicas com nossas vivências no mundo. É uma meia verdade colocar somente nas mãos do meio externo, assim como pensar somente em termos de questões genéticas também nos traz respostas parciais. No livro levanto bastante a bandeira de pensadores pioneiros, como Melanie Klein e Erich Fromm, apontando, também, a importância dos ambientes externos que fizeram parte das nossas vidas, sobretudo o familiar.

NF: E por que tudo isso é importante?

Quem melhor se conhece leva uma vida mais congruente, mais em acordo com os próprios desejos e, portanto, mais feliz. No livro eu questiono um pouco nossa noção ocidental de felicidade. Defendo que precisamos pensar na felicidade mais em termos de bons momentos de satisfação e de alegria – e portanto, felizes – do que numa vida feliz e despreocupada. Pensar numa vida feliz nos coloca em posição de autobrança por uma felicidade inalcançável. Quem desenvolve consciência emocional vai se tornando cada vez mais resiliente frente às tempestades da vida e aprende a aproveitar mais os bons momentos felizes. Além disso, desenvolve consequentemente outras habilidades, inclusive na vida profissional. O bom líder, por exemplo, é aquele que se conhece bem e tem consciência emocional: se torna uma pessoa mais empática, que gosta de dividir conhecimentos e, portanto, formar novos líderes para sua equipe.

NF: Você diria, então, que os níveis de autoconhecimento e de consciência emocional conseguem influenciar, também, nas escolhas que fazemos e nos caminhos que tomamos pela vida afora?

Completamente. Para o bem e para o mal. Quanto mais me conheço, me compreendo e me aceito, melhores serão minhas escolhas. Quanto menos me conheço – ou talvez até conheço um pouco, mas não me aceito, e portanto, fico em estado de negação – piores serão as escolhas. E com elas, as consequências também. Inclusive, permanecer em negação piora outras áreas da vida, como os relacionamentos interpessoais, por exemplo. Uma pessoa que se mantém em estado de negação tem dificuldade em participar das alegrias alheias, sobretudo por questões de autoestima. Casos mais graves vão evoluindo para manias de perseguição e percepções deturpadas da realidade…

NF: O que motivou você a escrever?

Creio que uma série de fatores. Meu livro é fruto da pandemia, isso é fato. Foi escrito nos últimos meses de 2020 e publicado no início de 2021, num período de total incertezas. Não tínhamos vacinas, não sabíamos quando teríamos e, enquanto isso, víamos diversas pessoas queridas falecendo em função da covid-19, ao mesmo tempo em que todos nós também corríamos perigo. Eu havia acabado de perder minha avó materna para essa doença – um mês e meio depois, durante a escrita do livro, eu também tive covid – e eu estava me questionando sobre várias coisas, sobre dar sentido a tudo isso. Parafraseando Viktor Frankl, quem tem um “porquê” atravessa qualquer “como” e acho que com a escrita fui me direcionando a pensar sobre tudo isso e sobre quem eu era dentro de tudo isso. Meu livro é, antes de qualquer coisa, um convite ao autoconhecimento, assim como eu fiz a mim mesmo durante a escrita, assim como faço ao leitor enquanto ele(a) lê. Fico feliz em ver que mesmo depois de três anos publicado, o livro continua tendo a mesma força propulsora, senão até mais. Algumas pessoas já me disseram que procuraram a psicoterapia depois de lê-lo, visando desenvolver ainda mais autoconhecimento, outros me procuraram na expectativa de mais explicações sobre os conceitos apresentados, enfim… Percebo que depois da pandemia as pessoas estão bem mais abertas a falar sobre ansiedade, fobias, traumas, luto, etc.. Com isso, neste nosso momento atual as pessoas estão em busca de sentido, de conhecimento e de autoconhecimento. Poder contribuir de alguma maneira é uma grande alegria.

Douglas Buzoni é psicólogo pela Universidade de Franca (2016) e especialista em gestão em marketing e RH pela Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro (2020). Suas publicações mais recentes versam principalmente sobre: teorias e técnicas psicanalíticas; educação; marketing. Atualmente é psicólogo escolar da prefeitura municipal de Aramina-SP, na área de educação infantil.

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